"Somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo" (Carl Sagan)

"Somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo" (Carl Sagan)

domingo, 15 de julho de 2018

Entendendo as Gerações - Parte 2

Dando continuidade ao assunto, hoje vamos às 3 gerações que convivem atualmente em maior quantidade, as polêmicas gerações X, Y e Z. Quem são, como agem e o que pensam?

5) Geração X

Esse termo é utilizado para designar os nascidos nas décadas de 70 ao início da década de 80, geração da qual faço parte. Somos filhos dos Baby Boomers. Nascemos como resultado daquela geração conflituosa anterior. Experimentamos as mudanças nos valores sociais iniciadas na geração anterior e, como resultado da entrada das mulheres no mercado de trabalho, e um crescimento alto nas taxas de divórcio, crescemos com uma supervisão parental MUITO menor do que nas gerações anteriores. Crescemos ligados na TV, na chamada "Geração MTV" (a antiga Music Television). Presenciamos o surgimento da cultura Grunge, do Hip-Hop, do Rock Alternativo e da explosão do cinema americano. Pegamos uma geração mais focada nos adultos e menos nas crianças, onde os valores sociais antigos (o da família onde o casal fica junto, não importando os problemas) deram lugar ao valor da autorrealização individual e parental. Pegamos também o início da "revolução sexual", onde casais mudavam com frequência. Tudo isso culminou em adultos, na década de 90 aos anos 2000, conhecidos como a "Geração Friends" (por conta do seriado de TV de mesmo nome). No mercado de trabalho, fomos considerados mais apáticos e relaxados que os anteriores. Socialmente fomos considerados cínicos, vazios, sem afeições. Mas conforme essa geração avançou, entretanto, passamos a ser vistos como uma geração autônoma e empreendedora.  Acabamos ganhando uma autoconfiança e otimismo inexistente nas gerações anteriores. Tudo isso levou ao crescimento exponencial da indústria tecnológica e do entretenimento que vivemos ainda hoje. Somos vistos no meio empresarial como independentes, cheios de recursos, adaptáveis, pragmáticos, bem-resolvidos, céticos quanto às autoridades e buscando uma vida mais balanceada, entre trabalho e lazer. Crescemos na era da Globalização. O Google, a Wikipédia, o YouTube, a Amazon, são adventos resultantes dessa geração. Quanto medidos os graus de felicidade e satisfação, atingimos os mais altos patamares nos estudos. Em termos de educação dos filhos, não somos pais tão controladores quanto os Baby Boomers. Em vez disso, damos oportunidade aos nossos filhos aprenderem por conta própria através de pequenos erros, intervindo apenas em problemas maiores. Somos a geração com a maior porcentagem de pessoas engajadas em serviços voluntários e assistência social. Somos considerados também os maiores resolvedores de problemas e com a maior ética profissional. Estamos no intermediário entre os baby boomers e os millennials em vários aspectos no âmbito político, social, educacional e uso de mídias sociais.  

Nota Pessoal: Essa geração não começou bem. As conquistas sociais da geração anterior foram importantes, mas a sociedade parecia ainda não estar preparada (o que não quer dizer que tais conquistas não deveriam ter sido almejadas). Entretanto, o que pareceu um erro, acabou resultando em um acerto também. A independência e autonomia dessa geração se deveu ao fato de terem sido negligenciados pelos pais (o que não significa que essa seja uma atitude correta). Percebam que, provavelmente, o mais adequado se encontra no intermediário entre os dois: os pais devem dar autonomia aos seus filhos, mas sem negligenciar a educação em problemas maiores, evitando o grande número de delinquentes juvenis que surgiram também nesse período. Talvez o índice de criminalidade crescente nos grandes centros urbanos mundiais também se deva a esse fato. Outro problema é que a Geração X começou a pensar como os Baby Boomers, acreditando serem melhores que as demais gerações, tanto anteriores, quanto posteriores.

Geração Friends - Um Trecho de um Episódio da Série

Michael Jackson - Um dos Maiores Ícones da Cultura Pop dessa Geração

6) Geração Y

Nessa geração encontramos os nascidos do final da década de 80 até a década de 90. É a geração logo após a minha. São chamados de Millenials por terem nascido no final do milênio. É a geração que  cresceu junto à internet! Cresceu em meio à prosperidade econômica, ao fácil acesso aos bens materiais e acompanhou o grande avanço tecnológico. Devido aos grandes estímulos na infância, é uma geração multitarefa, capaz de realizar várias atividades ao mesmo tempo. Curiosamente, essa geração é exclusivamente urbana, visto que as mesmas mudanças não ocorreram no campo. Se na geração anterior, crescemos com a durabilidade dos produtos, a geração Y cresceu numa era de descartabilidade e das atualizações tecnológicas constantes, ou seja, em meio a uma efemeridade dos produtos. Houve com isso uma mudança no mercado de trabalho, levando o profissional a ter de se atualizar com maior frequência. Além disso, trabalhos mecânicos e braçais começaram a dar lugar a trabalhos mais ligados à criatividade e inovação. É uma geração que, com isso, nunca foi muito acostumada a grandes esforços. Além das facilidades mencionadas, muitas vezes tiveram pais (da Geração X) que tentaram compensar materialmente seus filhos pelas suas faltas afetivas. No mercado de trabalho, acabam não querendo se sujeitar a tarefas "menores" e almejam sucesso rápido e sem esforço. São imediatistas. Além da grande facilidade no uso de novas tecnologias e capacidade de adaptação às mudanças constantes, é uma geração que já nasceu num mundo globalizado. Com isso, suas formas de comunicação são bem diferentes da geração anterior. São capazes de estabelecer vínculos fortes com pessoas que estão à distância, através dos celulares e redes sociais. A troca de informação entre as pessoas e, com isso, o enriquecimento cultural das populações aumentou bastante nessa geração. A produção de conteúdo se tornou frenética e informações podem ser acessadas a qualquer hora, em qualquer lugar. O mercado se adaptou para atender essas pessoas que são ávidas por novidades, daí os conteúdos produzidos também serem bastante descartáveis. O problema disso é que, apesar de terem mais acesso à informação, só atingem a sua superficialidade (o chamado conhecimento "fast food"). Com isso, os posicionamentos políticos e ideológicos se tornaram menos embasados que os da geração anterior. O consumismo acabou tomando conta dessa geração e, aliado à descartabilidade dos produtos, gerou uma degradação ambiental sem precedentes. Também pode ser chamada de "Geração Peter Pan", pela demora que alguns tem em amadurecer, vivendo muito mais tempo com os pais do que nas gerações anteriores. Em compensação, por passarem mais tempo aprendendo, evitam bem mais os erros profissionais e de relacionamento que as gerações anteriores cometeram. Com o avanço da justiça social, os Millennials trouxeram de volta o "politicamente correto" e saíram em defesa das minorias, fato não tão bem aceito pelas gerações anteriores, chamando-os pejorativamente de "geração floco de neve" (snowflake), por "derreterem facilmente", não serem duros, resilientes, e reclamarem demais.

Nota Pessoal: As habilidades desenvolvidas pelos indivíduos dessa geração são imprescindíveis para o mundo atual. Tanto que pessoas da Geração X que não acompanharam essas mudanças têm cada vez mais dificuldades e estão ficando para trás. A produção frenética de novos conhecimentos e conteúdos é uma espécie de "rolo compressor" que esmaga essas pessoas. Entretanto, membros dessa geração precisam trabalhar melhor a paciência, combatendo a visão imediatista. Devem também combater a descartabilidade gerada, pois o meio ambiente não está aguentando mais essa pressão. Vale ressaltar que essa é uma geração considerada por muitos como uma geração frustrada. Isso porque é uma geração extremamente qualificada e que não encontrou oportunidades num mercado já saturado, que busca na realidade empregados mais baratos. É uma geração que ainda valoriza a formação acadêmica, quando profissionais de nível técnico ganham muitas vezes mais do que eles. São pessoas que precisam investir numa visão empreendedora (tanto que 44% dessa geração tem como preferência o empreeendedorismo)

7) Geração Z

São aqueles nascidos nos inícios dos anos 2000 até mais ou menos 2015. São chamados também de iGeneration, Plurais ou Centennials. Essa geração já nasceu num mundo onde sempre existiu internet, redes sociais e smartphones. São, por isso, muitas vezes chamados de "nativos digitais". Essa geração apresenta uma curiosa mistura: alguns são filhos de millenials, mas muitos ainda são filhos da Geração X (levando-se em conta que a Geração X passou a ter filhos mais tarde. Eu, por exemplo, tive um filho em 2015 e terei outro este ano, mesmo sendo da Geração X). É uma geração que pegou a grande recessão provocada pela crise de 2008 e, por esse motivo, tendem a ser mais independentes e com desejos empresariais, pois viram seus pais sofrendo como força de trabalho. Presenciaram o encolhimento da classe média e o aumento do nível de estresse nas famílias. Os alunos dessa geração se auto-identificam como leais, compassivos, pensativos, mentes abertas, responsáveis e determinados. Entretanto, enxergam outros da mesma geração como competitivos, espontâneos, aventureiros e curiosos, características que não identificam em si próprios. Alguns autores dizem que sua competência leitora vem sendo modificada devido à familiaridade digital. Sua frequência a igrejas, curiosamente, chega a 41%, comparado com 18% dos Millenials, 21% da Geração X e 26% dos Baby Boomers. É uma geração avessa a riscos. O número de jovens que experimenta álcool caiu e os que usam cinto de segurança aumentou. As taxas de gravidez na adolescência reduziram, assim como o abuso de drogas e abandono dos estudos, comparado com os Millenials. Passam muito mais tempo na internet que as gerações anteriores e, alguns acreditam que usam o meio digital como fuga dos problemas que encontram no mundo offline. Pesquisadores em educação dizem que o uso de smartphones oferece o potencial de uma experiência de aprendizagem mais profunda e de instrução individualizada,  levando a uma geração bem mais educada. Em contrapartida, estão preocupados com a dependência tecnológica e a falta de regulação desse uso. Essa geração, mesmo se irritando com alguns aspectos das redes sociais mais famosas, ainda assim participa delas como meio de socialização. Dão preferência a aplicativos e comunicadores mais rápidos e usam bastantes emojis. usam a internet como meio de desenvolver habilidades sociais aplicadas em situações da vida real, além de aprender coisas de seu próprio interesse. Adolescentes passam a maior parte do tempo online, comunicando-se com pessoas com quem interagem no dia-a-dia, enquanto as redes sociais são usadas para obter notícias globais e manter contatos. Os pais se preocupam com o uso exagerado das redes sociais e os filhos se sentem irritados com essa preocupação excessiva e controle. Um aspecto negativo é que eles são menos hábeis no contato cara-a-cara e tendem a se sentir mais solitários, ansiosos e frágeis. Eles exibem uma enorme preocupação com aquilo que os outros pensarão de suas postagens. Meninas são mais afetadas por esse fenômeno que meninos. Elas experimentam baixa autoestima e fragilidade emocional mais elevada, em boa parte devido a cyberbullying (que é mais comum agora do que foi para os Millennials). A Geração Z desenvolveu a economia sob demanda (produtos e serviços oferecidos imediatamente sob demanda). Na educação valorizam a obtenção de uma graduação na obtenção de empregos. O empreendedorismo tem se tornado comum no currículo das escolas. As novas tecnologias favorecem oportunidades de abrirem negócios mais cedo. Suas ideias podem ser "vendidas" mesmo sem sair de casa. No âmbito político, a Geração Z tende a ser mais conservadora que a anterior e mais pessimista quanto à economia. Profissionalmente, estão bem preparados para um ambiente empresarial global e procuram algo além de um emprego: buscam uma atividade profissional que ajude a mudar o mundo. São ávidos por participar ativamente da comunidade. Eles já começam nos empregos de uma maneira melhor do que da Geração Y.
 
Nota Pessoal: A geração Z é de fato a geração "on demand". São autodidatas e gostam de trilhar seu próprio caminho. Não gostam de hierarquias e horários inflexíveis. Não aceitam as normas de trabalho, são questionadores e pró-ativos.  Por todas essas características acabam sendo muito voltados ao empreendedorismo, ao trabalho dentro de casa, à produção de seu próprio conteúdo, etc. Por terem crescido num mundo onde o terrorismo se tornou mais comum, onde a degradação ambiental atingiu patamares inconcebíveis e as crises econômicas geraram recessão e instabilidade global, acabam não sendo só motivados pelo dinheiro, mas também pela vontade de "salvar o mundo". Como a geração anterior se preparava demais e falhava no mercado de trabalho, estes já são mais objetivos, pragmáticos, realistas. São cautelosos e céticos com relação às grandes empresas. É uma geração que veio para mudar o mundo. E tomara que consigam! 





domingo, 8 de julho de 2018

Entendendo as Gerações - Parte 1




Diariamente ouvimos falar sobre diferentes gerações. Frases como "essa geração é mais agitada", "a minha geração era mais sábia", "a geração dos meus pais era isso ou aquilo" e por aí vai. No meio empresarial usa-se muito os termos Geração X, Y ou Z. Na internet ouvimos falar sobre os Millennials. Mas o que são essas gerações, como foram formadas e como pensam de fato?

1) A Geração Perdida

O uso do termo "geração" para um conjunto de pessoas nascidas no mesmo período de tempo sempre existiu. Mas o uso de um termo para designar uma geração em específico parece ter surgido no final do século XIX, com a chamada "Geração Perdida", a qual corresponde às pessoas nascidas entre 1883 e 1900 e que lutaram na 1ª Guerra Mundial durante sua juventude. O termo é atribuído inicialmente por Gertrude Stein (uma escritora e poeta americana) mas foi popularizado pelo escritor Enerst Hemingway (conhecido por sua principal obra "O Velho e o Mar"). Essa geração atravessou os chamados "Loucos Anos 20" e a Crise de 1929. Por terem vivenciado todos esses problemas, tornaram-se adultos individualistas e conhecidos por quebrarem regras.  Dessa geração, além dos famosos escritores Ernerst Hemingway, James Joyce e T.S. Eliot, nasceram também: Charles Chaplin, Babe Ruth, Alfred Hitchcock, Louis Armstrong, Al Capone e figuras que seriam importantes na 2ª Guerra Mundial como Mussolini, Hitler, Mao Tsé-Tung, Truman, Eisenhower, entre vários outros nomes.
Nota Pessoal: Talvez esse individualismo e o desprezo por regras tenham sido os responsáveis pela ascensão do  fascismo, que culminou na 2ª Guerra Mundial. As pessoas começaram a pensar em si próprias e em seus objetivos, não importando o que teriam de fazer para alcançá-los.

Chaplin em seu clássico filme "O Grande Ditador", onde imita Adolf Hitler

Louis Armstrong e sua belíssima canção "What a Wonderful World"

2) A Geração Grandiosa

Esse termo foi cunhado pelo jornalista e escritor Tom Brokaw para designar os indivíduos nascidos já durante a grande depressão e que lutou na 2ª Guerra Mundial em sua juventude. Eles vivenciaram o surgimento de inovações tecnológicas como o rádio, o telefone e a TV, além de um grande crescimento das desigualdades (entre brancos e negros, homens e mulheres, etc.). Nasceram nessa geração, os famosos artistas Clarke Gable, Greta Garbo, Henry Fonda, Lou Costello, John Wayne, Gene Kelly, Orson Welles, Kirk Douglas, Ava Gardner, Marlon Brando, escritores como George Orwell, Ian Fleming, Joe Shuster, Bob Kane, Jack Kirby, Isaac Asimov, Stan Lee, o pintor Salvador Dali, os políticos George W. Bush, Kennedy, Nixon e Ronald Reagan, além de Walt Disney, Madre Teresa e os cantores Nat "King" Cole e Frank Sinatra, entre vários outros.  
Nota Pessoal: Talvez, tendo crescido em famílias individualistas, passando as dificuldades da crise econômica, ouvindo as histórias de seus pais sobre a 1ª Guerra e enfrentando a maior de todas as guerras, essa geração tenha se preocupado muito com os seus familiares e seus similares, daí o crescimento das desigualdades no mundo. É uma geração que desconfia daqueles que são diferentes. Por isso tendem a ser conservadores, nacionalistas e, muitas vezes, racistas e xenófobos.

Frank Sinatra cantando "Garota de Ipanema" com Tom Jobim

 Nat "King" Cole cantando a clássica "When I Fall in Love"

3) A Geração Silenciosa

Esse termo foi utilizado entre a Grande Depressão e a 2ª Guerra Mundial. Em idade adulta presenciaram a Guerra da Coreia, o nascimento do Rock na década de 50 e dos direitos civis na década de 60. São chamados de "silenciosos" porque eram conformados com as normas sociais e focaram mais em suas carreiras do que em ativismos. Foi um período que levou ao crescimento econômico do pós-guerra, mas que acirrou ainda mais as desigualdades sociais. Foi uma geração menor, devido ao fato de terem crescido em um período de escassez e seus pais terem tido poucos filhos. Por ter sido uma geração menor, houve melhores oportunidades de emprego, saúde e aposentadoria. Por isso também foram chamados de "The Lucky Few" (os poucos sortudos). Nessa geração nasceram Martin Luther King Jr, o atual Dalai Lama, Malcolm-X, Fidel Castro, Che Guevara, Kofi Annan, Silvio Berlusconi, Mikhail Gorbatchev, Sadam Hussein, Solobodan Milosevitc, os artistas Brigitte Bardot, John Cleese, Judy Dench, Audrey Hepburn, Sophia Loren, Shirley MacLaine, Marilyn Monroe, Jane Fonda, Elizabeth Taylor, Shirley Temple, Gen Wilder, James Dean, Robert Duvall Clint Eastwood, Morgan Freeman, Gene Hackman, Dustin Hoffman, Anthony Hopkins, Denis Hopper, James Earl Jones, Steve McQueen, Jack Nicholson, Al Pacino, Christopher Plummer, Robert Redford, Burt Reynolds, Leonard Nimoy, William Shatner, George RTakei Adam West e os músicos Little Richard, Chuck Berry, Ray Charles, B.B. King, Neil Diamond, Bob Dylan, além de importantes nomes como o do linguista Noam Chomsky e o boxeador Muhammad Ali.
Nota Pessoal: Foi uma geração que cresceu num período melhor e teve mais filhos (o que refletiu na geração seguinte), mas presenciou tanta desigualdade social que deu origem aos diversos movimentos contestatórios que existem até hoje. Movimentos pela igualdade racial, feminismo, além de revoluções socialistas que culminaram na Guerra Fria são provavelmente o resultado de uma geração que cansou de ver a desigualdade brotar e resolveu tomar alguma atitude.

Chuck Berry com a clássica "Jonny Be Good", uma das músicas que inaugurou o Rock N' Roll

Little Richard e outro clássico do Rock N' Roll "Long Tall Sally"

4) A Geração "Baby Boom"

Essa geração é resultado da anterior. São pessoas nascidas na década de 50 e 60, que já pegaram o crescimento econômico e por isso tiveram muitos filhos, daí o termo "baby boom". Os baby boomers são conhecidos por rejeitar os valores tradicionais. Devido à sua infância mais segura e melhores condições de educação e saúde, são conhecidos por serem hoje pessoas privilegiadas em detrimento das gerações seguintes. Foi a geração que iniciou a onda de consumismo na qual estamos imersos ainda hoje. É uma geração que tende a se achar "especial", pois progrediram muito mais que as gerações anteriores e acreditam manter valores melhores do que as gerações posteriores. É a geração que mostra a maior quebra de paradigmas culturais entre o conservadorismo e o progressivismo de todas. Esses movimentos contestatórios começaram na época da Guerra do Vietnã e se estenderam até os dias de hoje, onde entretanto, os baby boomers se tornaram os conservadores da vez por acharem que a sua geração era a melhor de todas. Nos EUA os antigos baby boomers acabaram se tornando "Democratas" enquanto os mais recentes se tornaram "Republicanos". Eles vivenciaram culturalmente movimentos como a Beetlemania e o Festival Woodstock. Foi a primeira geração a crescer já com o advento da TV em suas casas, fator de extrema importância na cultura e educação a partir de então. Os programas infantis como Mickey Mouse, as séries de TV como Batman e Além da Imaginação contribuíram na formação desses indivíduos. Vivenciaram ainda a Guerra Fria, a crise de Mísseis em Cuba, o assassinato de Kennedy, a chegada do homem à Lua, a liberdade sexual, uso de drogas e a explosão de movimentos sociais. Políticos como Bill Clinton, George W. Bush (filho), Thereza May, Tony Blair, Al Gore, Barack Obama, Donald Trump, etc., são todos nascidos nessa geração e ainda estão em ativa hoje. Nasceram ainda nessa geração Kareem Abdul-Jabbar (jogador de basquete), Whitney Houston, Anjelica Huston, John Belushi, Jeremy Irons, Michael Jackson, Steve Jobs, Elton John, Tommy Lee Jones, Michael Jordan, John Bon Jovi, Bono Vox, Gary Kasparov, Diane Keaton, David Bowie, Stephen King, Jeff Bridges, David Letterman, Nicholas Cage, Príncipe Charles, Deepak Chopra, David Lynch, Madonna, Bill Maher, Glenn Close, Alice Cooper, David Cooperfield, Kevin Costner, Eddie Murphy, Demi Moore, Michael Moore, Olivia Newton-John, Tom Cruise, Jamie Lee Curtis, Willem Dafoe, Ted Danson, Johnny Depp, Princesa Diana, Sean Penn, Christopher Reeve, Richard Dreyfuss, Lou Ferrigno, Kurt Russel, Arnold Schwartzenegger, Sally Field,  Jodie Foster, George Foreman, O.J. Simpson, Steven Spielberg, Bruce Springsteen, Sylvester Stallone, Maryl Streep, Patrick Swayze, James Taylor, Mel Gibson, Whoopi Goldberg, John Travolta, John-Claude Van Damme, Denzel Washington, Bruce Willis, Oprah Winfrey, Steve Wonder, Weird Al Yankovic, Mark Hamill, Tom Hanks, entre vários outros, ou seja, é a geração que influenciou a minha geração (a próxima) e que de certa forma nos influencia até hoje!
Nota Pessoal: Ao meu ver foi a geração que gerou a cisão político-ideológica na qual estamos imersos ainda hoje. De um lado, os primeiros baby boomers são mais progressistas e lutam por igualdade e direitos sociais. Já os baby boomers seguintes, são os arrependidos que acreditam que os valores se perderam com o tempo, portanto, são mais conservadores e tendem a pensar no progresso do indivíduo e na eficiência do Estado em que vivem (já que esse crescimento econômico foi o que lhes garantiu uma boa vida em sua geração). Talvez hoje, a polarização político-ideológica "esquerda/direita" tenha surgido dessa cisão que começou com os baby boomers. As gerações seguintes acabam sendo então cooptadas ideologicamente ou por um lado, ou pelo outro. E o resto, vocês já conhecem...

The Beatles - Ticket to Ride, uma entre inúmeras músicas famosas da banda

O inigualável festival de Woodstock
A partir daí surgiram as gerações X, Y e Z. Entretanto, como o artigo acabou ficando grande demais, resolvi dividi-lo em duas partes. As gerações seguintes serão contempladas em outra postagem.






domingo, 1 de julho de 2018

Genética, Epigenética e Maternidade

O ser humano já nasce predeterminado a ser uma pessoa boa ou má, tranquila ou agressiva? Existe o determinismo genético (vulgarmente chamado de "pau que nasce torto")? Qual o papel do ambiente e das relações afetivas na formação do indivíduo? O quanto uma mãe é importante no desenvolvimento da personalidade de uma criança? A genética e a epigenética estão elucidando essas questões...

Em primeiro lugar, gostaria de avisar que vou usar alguns termos técnicos nesse artigo, mas o não conhecimento desses termos não afetará seu entendimento. Agora, se você quiser entender mais à fundo essa questão, do ponto de vista genético e molecular, sugiro que leia os seguintes artigos antes:


Se você não entende nada de genética e não faz ideia do que seja a epigenética, aqui vai uma pequena ideia, uma simplificação para seu entendimento: seus genes são estruturas dentro de suas células que determinam quem você é, principalmente no aspecto físico. Então se você é branco, negro, homem, mulher, louro, ruivo, alto, baixo, se tem diabetes ou não, se é míope ou não, enfim... todas as características que você possui são determinadas pelos seus genes. Essa é a parte fácil, a parte que todos conhecem. O problema é que seus genes podem ser "ligados" ou "desligados" por diversos fatores ambientais, como a nova ciência chamada "epigenética" tem descoberto. Alimentação, hormônios, fatores físicos e emocionais podem alterar o funcionamento desses seus genes. Sacou? Se alguém quiser entender mais sobre o assunto, eu recomendo o livro abaixo, o qual é bastante didático. Inclusive, o experimento em questão que vou mencionar aqui é muito bem descrito nesse livro.


Nos estudos em questão, os pesquisadores resolveram testar o quanto o estresse influencia o comportamento de ratinhos de laboratório. O estresse provoca a liberação de hormônios chamados "glicocorticóides". O cérebro dos mamíferos (de ratinhos a seres humanos) apresenta receptores para esses glicocorticóides. Quanto mais receptores um indivíduo possui, melhor ele consegue metabolizar essas substâncias e, consequentemente, melhor ele consegue lidar com as situações estressantes. Até aí, nada demais. O que há de incrível nesse estudo é que, ao estudar os ratinhos, os pesquisadores constataram que uma boa mãe, com seu carinho, leva à desmetilação de genes produtores dos receptores para glicocorticóides no cérebro. Esse processo epigenético permite a ligação de um fator de transcrição no gene, que aumenta a produção de receptores. O aumento desses receptores está ligado a um feedback negativo na ação dos glicocorticoides, levando a uma reação menor em relação ao estresse. Ou seja... traduzindo... os ratinhos filhotes foram submetidos a situações estressantes. Quando eles corriam até suas mães e essa os tratava com carinho e afeto (constatada pelas lambidinhas que ela dava em seu filhote para acalmá-lo), esses filhotes tinham genes ativados e produziam mais desses receptores cerebrais, conseguindo lidar melhor com o estresse de uma próxima vez.
Agora o mais incrível, talvez, seja o seguinte fato: Ratinhos que não tinham mães "lambedoras", não produziam tais receptores e, consequentemente, não reagiam bem a situações estressantes, desenvolvendo vários tipos de transtornos na fase adulta, como ansiedade, depressão, agressividade, etc. Entretanto, se esses filhotes fossem retirados do convívio com suas mães biológicas e colocados para viver com mães lambedoras (carinhosas), essa situação se revertia. Da mesma forma que se o filhote de uma mãe lambedora (carinhosa) fosse retirado de seu convívio e colocado com uma mãe insensível, ele não conseguia desenvolver receptores para o estresse e crescia com os problemas citados. Através desses estudo, parece-nos óbvio que o cuidado parental (tanto materno, quanto paterno, embora esse ainda esteja sob estudo), seja responsável por uma melhor reação da criança ás adversidades de sua vida, tornando-a uma pessoa mais ou menos apta a conviver socialmente, dependendo de como foi sua criação.

Outra questão explorada nos estudos, é que maus cuidados maternos geram menos receptores de estrogênio nas fêmeas por mecanismos epigenéticos. Fêmeas com menos receptores são insensíveis à maternidade e são mães menos dedicadas, perpetuando o ciclo por gerações. Ou seja... se uma fêmea é maltratada por sua mãe, tem grandes chances de também não ser boa mãe. Os problemas gerados por negligência materna podem, entretanto, serem solucionados pela introdução de um ambiente enriquecido (alteração do ambiente social). Em casos difíceis com auxílio de medicação. Mas alguns casos mais graves não tem mais jeito mesmo. Daí o imprescindível fato de que as crianças devem ser tratadas com carinho, afeto e atenção nesses primeiros anos de vida.

Em outro estudo, filhos de mulheres que sofreram TEPT (Transtorno do Estresse Pós-traumático) se tornaram mais propensos a desenvolver o mesmo distúrbio, mesmo sem ter vivido diretamente o episódio. Mulheres que estavam grávidas no atentado do WTC deram a luz bebês com uma reação ao estresse exacerbada e hipersensibilidade do eixo do estresse. Essas crianças são mais suscetíveis à ansiedade, depressão e até TEPT do que as nascidas de mães que não sofreram o TEPT. Percebem o quanto o bem-estar de uma mulher é tão importante durante a sua gestação? Aquilo que ela sofre enquanto grávida pode influenciar a nível genético a saúde futura de seu filho.


Nos anos 1950, Harry Harlow, Universidade de Wisconsin, realizou um experimento acerca da ligação emocional do bebê com a mãe, através de macacos Rhesus. Para isso, ele usou macacas falsas feitas puramente com arames e outras atoalhadas. As de arame possuíam mamadeiras anexas e as atoalhadas e felpudas não. Como resultado, os bebês mamavam na macaca de arame para matar a sua fome, mas passavam mais tempo aconchegados na felpuda, mostrando que o alimento não é o que gera a ligação. Esses bebês apresentavam níveis de estresse elevados e dificilmente eram ressocializados. As fêmeas se tornavam mães negligentes ou até mesmo agrediam seus filhotes. O vídeo deste experimento pode ser visto abaixo:


Em primatas, além das mães, os pais também desempenham papel importante na criação dos filhos. O cuidado paterno e seus efeitos no comportamento emocional ainda não foram muito bem estudados. Mas os dados de estudos sobre abusos contra crianças e sobre a transmissão social desses abusos mostram a importância do papel paterno. Há um estudo que mostra a correlação entre o hormônio regulador do estresse e os níveis relatados de cuidado paterno, não só materno. Entretanto, há a necessidade de uma maior investigação quanto a isso.

Em tempo: Conforme escrevia essa postagem, esbarrei com um artigo publicado pelo Salk Institude (EUA), dizendo que certos "genes saltitantes" (chamados de transposons - a explicação sobre isso fica para outro artigo) podem ser ativados em filhotes devido à negligência materna. Com isso, ocorrem modificações no "mapeamento genético cerebral", provocando alterações em seu funcionamento. Desordens mentais podem ser o resultado deste fenômeno de alterações aleatórias nos genes cerebrais. Novamente, é apenas um estudo. Vários outros serão ainda necessários.

Como podem ver, a ciência não tem todas as respostas ainda. Mas os estudos tem demonstrado uma tendência nessa direção. Talvez o modo de vida de cada um (alimentação, modo de vida, estresse, etc) forneça micro ambientes celulares capazes de gerar modificações epigenéticas em genes produtores de hormônios, o que levaria a alterações comportamentais. Isso constituiria a personalidade e o caráter de cada um. Nesse sentido, o caráter de um indivíduo não seria predeterminado geneticamente, mas sim moldado de acordo com suas vivências sociais. Mais uma vez, como visto nesse artigo sobre natureza humana, teríamos um argumento a favor da não existência dessa tal natureza. O ser humano seria, na realidade, fruto do meio social. Dá o que pensar, não?

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A Goleada da Costa Rica!


Estamos em época de Copa do Mundo e os memes circulam de maneira frenética pelas redes sociais. Alguns deles traçam comparativos entre o Brasil e países como Canadá e Suíça em termos de indicadores econômicos, sociais e de qualidade de vida, como por exemplo no meme visto abaixo:
O mesmo foi feito com Alemanha, Holanda e outros países considerados bastante desenvolvidos, mesmo não sendo adversários diretos do Brasil ou sequer estando na Copa. Bom... alguns curtiram, outros criticaram esse tipo de postura e não estou aqui para julgar a questão.  Apenas achei curioso o fato de ninguém falar nada a respeito da Costa Rica, segundo adversário do Brasil nesta Copa, como se não houvesse nada o que elogiar desse país. A verdade é que as pessoas pouco conhecem essa nação, a qual é considerada uma das mais amigáveis à natureza do mundo e justamente por esse motivo sempre me chamou a atenção. Então não é de Copa ou Indicadores Econômicos que gostaria de falar, mas sim de preservação à natureza. Costa Rica é o único país latino-americano entre aqueles que possuem os melhores indicadores ambientais do mundo, segundo o Environmental Performance Index. Hoje o país se encontra entre os 30 melhores do mundo, mas já ocupou a 5ª e até a 3ª posição em anos anteriores de avaliação. Entretanto, ainda hoje, é considerado o 3º país mais verde do mundo segundo a Eco Watch e um dos principais destinos daqueles que buscam eco-turismo e lugares paradisíacos. Confiram algumas imagens abaixo:

Costa Rica é também, até onde sei, o único país do mundo que tomou a decisão de fechar zoológicos e acabar com qualquer tipo de espetáculo que envolva animais em cativeiro. "Estamos enviando uma mensagem ao mundo. Queremos ser congruentes com nossa visão de país que protege a natureza", disse à BBC Mundo Ana Lorena Guevara, vice-ministra de Meio Ambiente da Costa Rica. O país proibiu a caça e qualquer outra atividade que envolva morte ou sofrimento animal. Os zoológicos darão espaço a centros de conservação, pesquisa científica ou resgate e preservação de espécies.

Outra medida recente interessante é o fato do país estar disposto a banir o uso de produtos plásticos descartáveis até 2021. O plástico, como muitos já sabem, é um dos maiores vilões do meio ambiente. Trabalharemos as ilhas de lixo do Pacífico e o perigo dos microplásticos em outra oportunidade. Por enquanto, fiquem com dois vídeos de 1 minuto sobre o assunto:



Aqui no Brasil, há umas duas semanas atrás, foi anunciado que o RJ pode se tornar o primeiro município do país a banir canudinhos de plástico. Segundo a reportagem do Estadão: "De autoria do vereador Jairinho (MDB), o projeto prevê multa R$ 3 mil aos estabelecimentos que desrespeitarem a lei - o valor será dobrado em caso de reincidência. Leandro Lyra (Novo) foi o único parlamentar que votou contra a proposta".  Eu e alguns amigos questionamos o vereador nas redes sociais, mas não obtivemos respostas sobre o motivo dele ter votado contra essa medida ambiental. O projeto agora está aguardando sanção ou veto do Prefeito Marcelo Crivella. Torçamos para que seja aprovado!

Costa Rica também utiliza mais de 99% de energias renováveis! Segundo a reportagem da Galileu, "78,26% da energia veio das hidroelétricas, 10,29% teve o vento como fonte, 10,23% da geotermia e 0,84% da biomassa e do sol". Impressionante, não? Além disso, o país apresenta taxa de alfabetização de cerca de 98% e não possui forças militares. O país trocou suas bases militares por escolas, levando-o a alcançar patamares altíssimos no índice de paz global e ficar entre os 15 países mais felizes do mundo, segundo o World Happiness Report, citado nesta reportagem da Veja.

Com tudo isso, Costa Rica parece ser um excelente país para se viver: um local belíssimo, pacífico, integrado à natureza, que valoriza a educação e democracia. Entrando na onda das "brincadeiras da Copa", comparando-se esses indicadores costa-riquenhos com os brasileiros, o resultado seria uma goleada da Costa Rica. Ah! E pra não dizer que ninguém falou isso antes, terminando de escrever esse artigo, esbarrei com um similar publicado pela Revista Exame na semana passada. Vale a pena dar uma conferida nele também. 😉

domingo, 18 de março de 2018

Stephen Hawking - Uma Mente Singular

Como semana passada não fiz nenhuma postagem, e dado o falecimento do cosmólogo Stephen Hawking essa semana, resolvi fazer uma segunda postagem nesse domingo sobre esse gênio e um dos maiores divulgadores da ciência de todos os tempos, um cientista que se tornou ícone na cultura pop!

Hawking era Doutor em Cosmologia e professor emérito da Universidade de Cambridge, Inglaterra. Pra quem não sabe, Cosmologia é um ramo da Astronomia que estuda a origem, estrutura e evolução do Universo a partir da aplicação de métodos científicos. Seus principais campos de pesquisa foram a Cosmologia Teórica e a Gravidade Quântica. Em um trabalho conjunto com Roger Penrose, provou o primeiro de muitos teoremas que fornecem evidências para a existência de uma sigularidade no espaço-tempo (Singularidades são uma característica da Relatividade Geral de Einstein). Hawking dedicou também grande parte de sua carreira a estudar os buracos negros. Nesse campo, propôs 4 leis que explicam seu funcionamento e descobriu a emanação de uma radiação, que foi batizada como Radiação Hawking em sua homenagem. Além disso, foi importante na elaboração de teorias que complementam o modelo do Big Bang, junto a vários outros pesquisadores.

Apesar dessas grandes contribuições para a cosmologia, Hawking não foi exatamente um dos maiores nomes no meio científico. Sua importância foi muito maior como Divulgador da Ciência do que como cientista propriamente dito. Hawking foi uma das pessoas que mais popularizou os conhecimentos da cosmologia, ou seja, tornou esses conhecimentos de fácil acesso a qualquer um. É famoso pela publicação de livros como "Uma Breve História do Tempo" (1988), atualizado em 2005 com o auxílio de Leonard Mlodinow, sob o nome de "Uma Nova História do Tempo", e "Universo Numa casca de Noz" (2001). Sua última publicação de sucesso foi "George e o Segredo do Universo" (2007), trazendo aventuras e informações científicas precisas sobre o Universo.

Publicações mais famosas e didáticas sobre o assunto
 
Hawking também ficou muito conhecido por sofrer de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), uma doença neurodegenerativa que foi paralisando seus músculos pouco a pouco. Perdeu a capacidade de andar, depois de movimentar os braços, depois o pescoço. Perdeu a capacidade de falar e se expressar, tendo de andar sempre numa cadeira de rodas motorizada e se comunicar através de um sintetizador de voz. Sua voz robotizada se tornou sua "marca registrada". O controle da cadeira e a comunicação foram se tornando cada vez mais difíceis. Chegaram a desenvolver um comando através da musculatura de suas bochechas e, posteriormente, através do movimento de seus globos oculares. Sua história foi contada duas vezes em vídeo. A primeira pelo documentário de 1991 "A Brief History of Time" e a segunda através do filme "A Teoria de Tudo", o qual rendeu um Oscar ao seu protagonista, o ator Eddie Redmayne. O documentário pode ser visto no link abaixo.


Uma Breve História do Tempo (1991)

Eddie Redmayne e Stephen Hawking. Poster do filme "A Teoria de Tudo".

Além de ser famoso por livros e filmes, Hawking já apareceu em episódios de séries de TV como Os Simpsons, Star Trek (Nova Geração), Futurama, Laboratório de Dexter, Family Guy e The Big Bang Theory (onde trocou vários diálogos com o personagem Sheldon Cooper).  

Hawking em Os Simpsons

 Hawking em The Big Bang Theory

Hawking também foi responsável por inúmeros documentários didáticos e entrevistas bastante divulgadas em canais de Youtube, além de ler um discurso nos Jogos Paraolímpicos de 2012 em Londres. Por conta de tanta exposição na mídia, Hawking era, até semana passada, de longe o cientista vivo de maior notoriedade no mundo todo. Hoje, figura como um dos "gigantes" da ciência que serão para sempre lembrados no imaginário popular. Abaixo, alguns trechos de reportagens e documentários selecionados para aqueles que quiserem saber mais sobre esse gênio:

Comercial "Keep Talking":


Reportagem (em Espanhol) sobre a Voz Sintética de Stephen Hawking:

 
Documentário "A Ciência de Tudo" (1/6 Partes)


 Minha Breve História (Autobiografia - 2013)

Asgardia - Uma Nação Espacial

Você já deve ter ouvido falar em "Asgard", um dos 9 mundos da mitologia nórdica, mundo onde vivem os famosos deuses aesires, representados atualmente na cultura pop pelos personagens da Marvel Comics. Mas você já ouviu falar de "Asgardia", uma nação espacial que está sendo criada? Se nunca ouviu falar e tem curiosidade de saber mais... Acompanhe nossa próxima postagem!

O cientista e empresário russo, Igor Ashurbeyli, é fundador do Aerospace International Research Center (AIRC), um centro internacional de pesquisas espaciais, localizado em Viena, Áustria. Em Setembro de 2016 anunciou ao mundo um projeto extremamente ambicioso e inusitado: a fundação da primeira nação espacial, com uma constituição, moeda e sistema político devidamente reconhecidos pela ONU. Asgardia, também conhecida como "Reino Espacial de Asgardia", é formado por pessoas provenientes de várias partes do mundo que se candidataram a receber cidadania asgardiana. Os 10 países que mais enviaram cadastros se encontram na tabela abaixo:


A ideia, por mais louca que pareça, é a de criar uma nação independente da influência das demais já existentes na Terra. Uma ideia similar já ocorreu em 1949, quando o escritor e relações públicas James Thomas Mangan propôs a criação de "Celestia" ou "Nação do Espaço Celestial", mas o planos acabou não saindo do papel. Diferente de Mangan, Ashurbeyli não só sistematizou melhor os planos, como fechou parceria com a NASA e já lançou seu primeiro satélite em 12 de Novembro de 2017. O satélite, medindo 10x10x20cm, e pesando 2,8 kg, chamado de "Asgardia-1", pegou carona à bordo do veículo comercial da NASA OA-8 Antares-Cygnus, carregando 0,5 TB de dados pertencentes a 18 mil cidadãos asgardianos. Dentre os dados encontram-se fotografias, a representação da bandeira asgardiana (no topo dessa postagem) e versão atual de sua constituição. O objetivo foi firmar legalmente um território no espaço, uma espécie de pedra fundamental da nação.

Foguete lançado pela NASA que carregou o nanossatélite, Asgardia-1

No momento estão tentando ganhar reconhecimento da ONU como uma nação soberana e elegendo um parlamento de 150 membros. Mais de 114.000 pessoas, oriundas de 204 países estão inscritas para receber a cidadania asgardiana. A ideia é ir lançando satélites e espaçonaves com módulos que irão se acoplando a Asgardia-1, da mesma forma que foi feita com a ISS (Estação Espacial Internacional). As concepções artísticas mostram vários andares internos, com moradias, ruas arborizadas e veículos maglev como sistema de locomoção.

Concepção artística da nação, após várias missões de acoplagem.

 
Mirantes ou Docas Espaciais (Espaçoportos)

 
Moradias e ruas arborizadas

 
Transportes Maglev

 
Lagos e bastante verde (para manutenção do oxigênio interno)
 
Sua constituição foi adotada em 18 de junho de 2017 e se tornou efetiva em 9 de Setembro de 2017. Seu centro administrativo, atualmente, encontra-se em Viena, Austria (no centro espacial citado anteriormente). Asgardia planeja dentro de pouco tempo se tornar "guardiã espacial de todo o conhecimento humano". Tudo isso parece coisa de ficção científica, não? Mas está pouco a pouco se tornando verdade. Seguem os dados oficiais, até o momento:

ASGARDIA
Lema: Uma Humanidade, Uma Unidade
Capital: Asgardia-1 (satélite)
Língua: 10 Idiomas Oficiais
População: 181.346
Moeda: Solar
Fundação: 12/10/2006
Sistema de Governo: Parlamentarismo
Legislatura: Unicameral (150 membros)
Chefe de Estado: Igor Ashurbeyli
Chefe de Governo: Mikhail Spokoyny

Para mais informações, acessem o site oficial:
https://asgardia.space/en/

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Roda das Emoções de Plutchik

Semana passada falamos sobre a diferença entre sentimentos e emoções, bem como a origem dessas emoções (nosso Sistema Límbico). Hoje vamos falar um pouco sobre a categorização das emoções. Existem várias formas de se classificar uma emoção. Vários especialistas já tentaram. A abordagem que utilizaremos aqui no blog é a do Psicoevolucionário Robert Plutchik.

Segundo a classificação de Plutchik, existem 8 emoções primárias, que em português ficaram como: Irritação (Anger), Medo (Fear), Surpresa (Surprise), Confiança (Trust), Antecipação (Anticipation),  Alegria (Joy), Nojo (Disgust) e Tristeza (Sadness). Ele propôs que essas emoções básicas são biologicamente primitivas e evoluíram de maneira a tornar o indivíduo mais adaptado ao ambiente, pois cada uma delas seria o gatilho para comportamentos importantes na sobrevivência do indivíduo. Como um exemplo, podemos dizer que o "medo" é o gatilho do mecanismo de "luta-e-fuga" dos animais (Detalharemos esse mecanismo em algum outro momento, quando falarmos de hormônios). É curioso ressaltar que essa questão das emoções está também relacionadas a outras espécies animais, contrariando a hipótese de que "animais não possuem sentimentos". Ainda dentro desta proposta, todas as demais emoções seriam derivadas de outras primárias ou até mesmo misturas entre elas. As emoções primárias podem ser dispostas em pares de opostos dentro desse modelo e variam de acordo com uma gradação de intensidade dentro uma mesma categoria. A roda das emoções proposta pode, então, ser ilustrada através de um cone em 3D (como visto na imagem de topo da postagem).

Vamos então compreendê-la melhor:

Quem são os pares de opostos?

- Alegria X Tristeza
- Irritação X Medo
- Confiança X Nojo
- Surpresa X Antecipação

A partir daí ele desenhou o círculo que vemos no topo da página, pintando com uma gradação de cores que significa a gradação da intensidade daquela emoção. E assim como duas dessas cores podem ser misturadas gerando uma terceira cor, duas dessas emoções podem ser misturadas gerando uma terceira emoção. Trata-se de um modelo extremamente didático e eficiente! Muitos mecanismos psicológicos, como mecanismos de defesa, podem ser explicados através desta roda.
 
Plutchik teorizou 24 emoções, categorizadas como "dyads" (simetrias) primárias, secundárias e terciárias, ou seja, sentimentos compostos por 2 dessas emoções simétricas. Exemplos:

Dyad Primária (Distância de 1 Pétala): Amor (Love) = Alegria + Confiança
Dyad Secundária (Distância de 2 Pétalas): Inveja (Envy) = Tristeza + Irritação
Dyad Terciária (Distância de 3 Pétalas): Vergonha (Shame) = Medo + Nojo
Emoções Opostas (Distância de 4 Pétalas): Surpresa X Vigilância

Com relação às gradações, podemos citar como exemplos:
Distração (Distraction) = Forma branda de Surpresa
Ira (Rage) = Forma intensa de Irritação

Todas as demais combinações possíveis podem ser vistas abaixo:

Emoções e Opostos:

Emoção BrandaBranda OpostaEmoção BásicaBásica OpostaEmoção IntensaIntensa Oposta
SerenidadePensativoAlegriaTristezaExtasiaAngústia
AprovaçãoTédioConfiançaNojoAdmiraçãoRepugnância
ApreensãoAborrecimentoMedoRaivaTerrorIra
DistraçãoInteresseSurpresaAntecipaçãoAssombroVigilância





Dyads (Combinações):

SentimentosEmoçõesSentimentos OpostosEmoções
OtimismoAntecipação + AlegriaDesaprovaçãoSurpresa + Tristeza
EsperançaAntecipação + ConfiançaDescrençaSurpresa + Nojo
AnsiedadeAntecipação + ConfiançaIndignaçãoSurpresa + Raiva
AmorAlegria + ConfiançaRemorsoTristeza + Nojo
CulpaAlegria + MedoInvejaTristeza + Raiva
PrazerAlegria + SurpresaPessimismoTristeza + Antecipação
SubmissãoConfiança + MedoDesprezoNojo + Raiva
CuriosidadeConfiança + SurpresaCinismoNojo + Antecipação
SentimentalidadeConfiança + TristezaMorbidezNojo + Alegria
TemorMedo + SurpresaAgressividadeRaiva + Antecipação
DesesperoMedo + TristezaOrgulhoRaiva + Alegria
VergonhaMedo + NojoDominânciaRaiva + Confiança

 
Sobreposição de Emoções:

SentimentosEmoçõesSentimentos OpostosEmoções
IntriganteInteresse + SerenidadeDesânimoDistração + Pensividade
ZeloVigilância + ExtasiaHorrorAssombro + Angústia
ReconhecimentoSerenidade + AceitaçãoDespreocupaçãoPensividade + Tédio
DevoçãoExtasia + AdmiraçãoVergonhaAngústia + Repugnância
AquiescênciaAceitação + ApreensãoImpaciênciaTédio + Irritação
SubserviênciaAdmiração + TerrorÓdioRepugnância + Raiva
CautelaApreenção + DistraçãoDesfavorecimentoIrritação + Interesse
PetrificaçãoTerror + AssombroDominaçãoRaiva + Vigilância

Relógio das Emoções:


Em 2012, uma pesquisa publicada no livro "The Hourglass of Emotions", se baseou no trabalho de Plutchik, mas categorizou as emoções em 4 dimensões de sentimentos, como vistas abaixo:

Dimensão321-1-2-3
SensibilidadeIraRaivaIrritaçãoApreensãoMedoTerror
AtençãoVigilânciaAntecipaçãoInteresseDistração Surpresa  Assombro
PrazerExtasiaAlegriaSerenidadePensatividadeTristezaAngústia
AptidãoAdmiraçãoConfiançaAceitaçãoTédioNojoRepugnância

Emoções Avançadas

DimensõesAlta SensibilidadeBaixa SensibilidadeAlto PrazerBaixo Prazer
Alta AtençãoAgressividadeAnsiedadeOtimismoFrustração
Baixa AtençãoRejeiçãoTemorFrivolidadeDesaprovação
Alta AptidãoRivalidadeSubmissãoAmorInveja
Baixa AptidãoDesprezoCoerçãoRegozijoRemorso






Como foi dito inicialmente, trata-se apenas de uma sistematização de todos os sentimentos e emoções humanas. Mas trata-se da sistematização mais completa já elaborada. A importância de tal estudo é a ampliação do autoconhecimento humano, e com esse autoconhecimento, vem o autocontrole. Saber controlar nossas próprias emoções é uma habilidade extremamente importante nos dias de hoje, como veremos em futuras postagens. Por hoje é só! Abraços!