"Somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo" (Carl Sagan)

"Somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo" (Carl Sagan)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Seleção Genética na Fecundação

Até hoje acreditávamos numa única verdade a respeito da fecundação: o espermatozoide mais apto, o primeiro a chegar e perfurar as camadas do óvulo, é o vencedor. Entretanto, o óvulo parece ter algum poder de escolha...

Dos milhões de espermatozoides lançados no trato genital feminino, muitos não chegam nem a começar a "corrida da vida" por apresentarem defeitos (ausência de cauda, cabeça bífida ou proporcionalmente muito grande, etc.) Dentre aqueles que conseguem "largar" em direção ao óvulo, muitos não têm energia suficiente para alcançar o seu objetivo. Alguns se perdem, outros ficam presos na viscosidade dos tecidos ou em dobras do epitélio. Enfim... poucos atingem a "linha de chegada". Assim que o óvulo é alcançado, os espermatozoides liberam enzimas digestivas presentes numa vesícula chamada de "acrossomo", permitindo que atravessem as 3 camadas do óvulo: a corona radiata (células foliculares), a zona pelúcida e a membrana plasmática. Aquele que conseguir penetrar antes, é o "vencedor". A zona pelúcida então sofre uma alteração bioquímica, impedindo a penetração de outros espermatozoides. É por isso que, como diria o Highlander, "só pode haver um".
Os Gametas Masculino e Feminino
Isso é tudo que se sabia até então. Parecia que havia uma aleatoridade na entrada de um espermatozoide, uma espécie de "fator sorte", no qual o espermatozoide que chegasse primeiro seria o responsável pela fecundação. Entretanto, Joe Nadeau, principal cientista do Pacific Northwest Research Institute (Seattle, Washington), em um artigo publicado na Quanta Magazine, resolveu desafiar esse paradigma científico. Se houvesse uma fertilização aleatória, os genes carreados pelos gametas masculinos deveriam também ser distribuídos numa determinada frequência média, atendendo às leis de Mendel. 
 1ª Lei de Mendel, mostrando a aleatoridade na fecundação

O que ele fez então para testar tal hipótese foi utilizar uma série de camundongos normais e portadores de genes para câncer testicular. Primeiramente cruzaram fêmeas portadoras do gene com machos normais. Os filhotes gerados possuíam então o gene pra câncer testicular distribuído de maneira aleatória, como previsto pelas leis de Mendel. Já quando cruzaram fêmeas normais com machos portadores desse gene, onde o resultado estatístico esperado seria de 75% de filhotes infectados, ocorreu justamente o inverso: apenas 27% dos filhotes apresentaram esses genes, desafiando as leis de Mendel. A partir desse resultado, os pesquisadores concluíram que o óvulo precisaria exercer alguma espécie de "seleção genética" para que essa estatística fosse observada. De alguma maneira, os óvulos escolhem dentre os espermatozoides que chegam, aquele que é o mais apto à fecundação, não necessariamente o primeiro que chega.

Outras explicações possíveis eram o fato de que os embriões portadores poderiam morrer antes de nascer, ou haveria algum problema nos espermatozoides portadores dos genes em fecundar. Mas em ambos os casos, a frequência de embriões gerados teria sido alterada, não atendendo às leis mendelianas. Portanto, trata-se de um grande indício que o problema não está nos embriões, nem nos espermatozoides, mas sim nos óvulos. O interessante é que, dessa forma, muitas condições genéticas podem ser eliminadas ou favorecidas pelos óvulos, dependendo de como esse mecanismo opera. Obviamente esse é apenas um primeiro estudo. Muitos outros se farão necessários para uma melhor compreensão do fenômeno. Entretanto, até então, ninguém procurava a "fertilização" como resposta para distribuições mendelianas não randômicas, o que torna esse estudo algo muito valioso. É possível que a partir de agora, muitos outros exemplos sejam percebidos pela Ciência e, talvez, dentro de algum tempo, tal mecanismo de seleção genética realizado pelos óvulos seja elucidado.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Guia da Argumentação - Parte 1 (Conceitos Básicos)

Atualmente é comum vermos debates nas redes sociais, debates estes pelos mais diversos motivos. O que é difícil de se ver hoje em dia é um debate de qualidade, onde cada um dos lados expõe sua posição, com respeito ao lado oposto e, principalmente, com uma argumentação coerente, sólida, bem embasada em fatos e não em falácias ou reações emocionais exacerbadas. Se você também já percebeu isso e quer melhorar a qualidade desses debates, junte-se a nós nesse "guia da argumentação" e mãos à obra!

Ponto de Vista:

O ponto de vista de um indivíduo (também chamado de "perspectiva" ou "paradigma", dependendo do caso) é a escolha de um contexto ou referência pelo qual esse indivíduo passa a analisar uma determinada experiência vivenciada. Toda e qualquer medição, análise ou interpretação de um determinado fato é feita à luz desse paradigma. Quando todas as experiências desse indivíduo passam a ser olhadas sob esse mesmo paradigma, podemos dizer que ele tem uma perspectiva de mundo ou uma visão de mundo específica. O interessante, nesse caso, é que um "Indivíduo A" e um "Indivíduo B" podem vivenciar a mesma experiência, mas desenvolverem pontos de vista diferentes, pois apresentam interpretações diferentes para essa mesma experiência de acordo com a sua visão de mundo. Essa visão de mundo (ou esse ponto de vista) pode ser compartilhado por outros indivíduos próximos como amigos e familiares, ou até mesmo por grupos maiores como uma nação, sociedade, grupos étnicos ou membros de instituições políticas e religiosas, aumentando cada vez mais a certeza desse indivíduo acerca de seu próprio ponto de vista. Mas será que esse ponto de vista é o mais adequado a uma dada situação? Para se chegar a essa conclusão é que se faz necessário o debate

Debate:

Um debate é uma forma de se contestar um determinado ponto de vista. Num debate, duas visões acerca de um determinado fato são conflitadas, sendo defendidas ou atacadas com base em argumentos. Um debate pode ter como resultado final um consenso, ou seja, o consentimento de todos com relação à causa (o que não significa necessariamente que todos concordam com a causa). Se o debate ocorrer acerca de um problema, pode-se chegar a uma solução. Entretanto, não é sempre que um debate chega a um consenso ou solução. Muitas das vezes o debate permanece em aberto, servindo apenas para esclarecimento das partes e aprofundamento da questão, o que acaba sendo também produtivo para a questão em debate. Um bom debate deve conter argumentos com consistência lógica, embasados em fatos e não em falácias, e com qualidade de oratória. Daí a importância de uma boa capacidade de argumentação.

Argumentação:
A argumentação é um modo de organização de discurso diferente de uma narração, descrição ou explicação. Numa argumentação deve haver uma espécie de negociação de argumentos contra ou à favor de um determinado ponto de vista, objetivando sempre se chegar a uma conclusão (mesmo que ela não seja alcançada em dado momento). Argumentar é criar uma reflexão acerca de um pensamento que é tido como uma certeza, uma verdade, tentando descobrir se ela se trata de uma verdade absoluta ou relativa. 

Argumento:

Finalmente, o que vem a ser um argumento? Um argumento pode ser definido como uma afirmativa que vem acompanhada de uma justificativa para a mesma (chamado de argumento retórico) ou a junção de duas afirmativas opostas, no caso um argumento e um contra-argumento (chamado de argumento dialético). Entretanto, a definição que utilizaremos aqui é a definição mais técnica utilizada na lógica, a qual diz que um argumento é um conjunto afirmações chamadas de proposições ou premissas, acompanhadas de outra afirmação chamada de conclusão. Entretanto, essas 3 últimas definições serão trabalhadas em outra oportunidade.

Um Exemplo pra Ilustrar...

Um indivíduo "A" (um pai de família sem antecedentes criminais), estava numa festa de aniversário infantil bebendo moderadamente. Uma criança sofreu um acidente e precisou ser socorrida. Esse indivíduo "A" era o único no local com um carro e habilidade para dirigir. Ele põe a criança no carro e corre até o hospital mais próximo. No meio do trajeto, um indivíduo "B" atravessa a rua de maneira distraída e é atropelado, vindo a óbito. Amigos do indivíduo "B" resolvem tomar satisfação com o indivíduo "A" e a polícia chega no local, constatando álcool no sangue do motorista. O corpo do indivíduo "B" é isolado e a criança transportada pelo indivíduo "A" é encaminhada ao hospital. Começa então um debate...

A família "A", tem um ponto de vista acerca do indivíduo "A", que sempre foi uma ótima pessoa e estava socorrendo uma criança. Obviamente o apoiam. Já a família "B", tem outro ponto de vista do indivíduo "B", visto que são bons cumpridores da lei e já presenciaram motoristas bêbados matando outras pessoas próximas. Para a família "A", o motorista é inocente. Para a família "B", um culpado. Quando o debate se inicia, uma família tenta contestar o ponto de vista da outra. Cada família, então, lança mão de argumentos para tentar convencer a outra. Sempre após um argumento, ocorre um contra-argumento. Se os argumentos ou contra-argumentos utilizados forem lógicos, consistentes e factuais, a chance de serem convincentes é maior. 
O resultado final pode ser um consenso entre ambos os lados. Ambas as famílias podem concordar que o motorista é inocente, pois estava tentando socorrer uma criança, pois era o único no local, pois até então sempre fora um cidadão exemplar, etc. Ambas as famílias podem concordar que o motorista é culpado, pois se estava bebendo não poderia em hipótese alguma dirigir, visto que é contra a lei. Ele deveria ter buscado um vizinho ou outra pessoa habilitada na proximidade que pudesse socorrer, pedir um táxi, ou carona. Qualquer outra alternativa a simplesmente pegar no volante.

Óbvio que isso também depende do estado emocional de cada um dos envolvidos. Uma pessoa emocionalmente alterada pode não conseguir dar ouvidos à razão. E nesse caso, o debate pode evoluir para um conflito. Um conflito ocorre quando duas situações antagônicas são consideradas incompatíveis e há a necessidade de se tomar uma decisão a favor de uma delas. A dificuldade no caso é saber quem está sendo racional e quem está tomado por emoções. Nesse caso, o debate acaba tendo de ser solucionado por uma autoridade. E a decisão tomada deverá ser acatada por todos. 

Entretanto, ainda assim, podemos dizer que o debate foi produtivo. A sociedade vivenciou um caso novo e o olhou sob dois pontos de vistas diferentes. As pessoas poderão, a partir dali, aprofundar as questões legais envolvendo "bebida e direção" ou "socorro de inocentes", chegando a conclusões e decisões que sejam mais acertadas para cada caso. Legislações podem até mesmo serem revistas se necessário. Tolerância pode ser desenvolvida entre as pessoas que estão olhando de fora, uma vez que ao presenciar tal caso, percebemos que por trás de todo evento, há mais de uma história a ser contada, e que julgar precipitadamente, sem dados, sem conhecer a fundo à situação, é ruim ao avanço das negociações, é ruim ao debate. Mais uma vez, é por isso que uma boa capacidade de argumentação se faz necessária.

Observação: Você provavelmente está mais inclinado a aceitar o indivíduo "A" como inocente, visto que comecei a história por ele e dei muito mais detalhes sobre sua índole e caráter. Entretanto, se eu tivesse começado contando uma bela história sobre o indivíduo "B" e como tristemente a sua família o perdeu para um motorista embriagado, mesmo após eu dizer que ele estava tentando salvar um inocente, é provável que você o considerasse culpado também. 

Pensem a respeito disso antes de julgar! 😉

domingo, 26 de novembro de 2017

A Teoria do Cérebro Trino

Essa semana, fazendo as pesquisas de costume em cima de assuntos cotidianos, esbarrei com testes de personalidade, discussões entre o lado emocional e racional do ser humano, diferença entre sentimento e emoção, etc. Acabei percebendo o quão fascinante são as ciências que explicam como funciona o cérebro humano. Sendo assim, resolvi criar outra série de postagens, dessa vez sobre a mente humana, psicologia e neurociências. Vou começar hoje com uma bem simples, a chamada "Teoria do Cérebro Trino". Essa teoria foi elaborada em 1970 pelo neurocientista Paul MacLean, apresentada em 1990 no seu livro “The Triune Brain in evolution: Role in paleocerebral functions”. Resumidamente ela diz que nosso cérebro evoluiu adicionando camadas sequenciais sobrepostas, as quais permitiram que chegássemos ao nível de capacidade cognitivo atual. O nosso cérebro seria então dividido em 3 setores: o chamado "cérebro reptiliano", o "cérebro dos mamíferos" e o "cérebro dos primatas". Vamos ver um pouco de cada um deles:

O Cérebro Reptiliano (Cérebro Basal):

Formado pela porção basal do prosencéfalo, é similar ao de aves e répteis (daí seu apelido). É responsável por reflexos simples, comportamentos envolvidos na agressão, dominância e territorialidade. Fornece características necessárias à sobrevivência, como por exemplo as emoções primárias (fome, sede, etc.). É por todos esses motivos considerado o "cérebro instintivo".

O Cérebro dos Mamíferos (Mamíferos Inferiores ou Paleomamíferos):

Região também chamada de "Subcortex". Formado pelos núcleos da base do telencéfalo e diencéfalo, o qual inclui o chamado Sistema Límbico (responsável pelas emoções).  Esse cérebro já seria responsável pela motivação envolvida na alimentação, comportamento reprodutivo e cuidado parental, ou seja, é a origem de nossos comportamentos emocionais e afetivos, sendo por isso chamado de "cérebro emocional". 

O Cérebro dos Primatas (Mamíferos Superiores ou Neomamíferos):
Região também chamada de Neocortex. Formada pelo telencéfalo (o qual é dividido em vários lobos). É responsável por sensações, pelos 5 sentidos e as chamadas "funções executivas". É a região que confere a habilidade da linguagem, a capacidade de abstração, planejamento, percepção, etc. É o cérebro que torna o homem um ser racional e criativo. É chamado por isso de "cérebro racional".



Trata-se ainda de uma teoria bastante controversa, mas segue sendo um bom modelo de estudo na área das neurociências. Explica muita coisa a faz bastante sentido. Observe abaixo a imagem que mostra a evolução do sistema nervoso dos vertebrados:
Como é possível perceber, de peixes a aves, as regiões citadas como responsáveis por funções autônomas e instintos de sobrevivência predominam. Já em mamíferos, a região responsável pelo equilíbrio e coordenação motora é ampliada (o cerebelo é bem maior), mostrando um refinamento nas habilidades motoras desses animais. Além disso, o volume cerebral ampliou de forma absurda, inclusive com os giros cerebrais que aumentam em muitas vezes a área neuronal num mesmo volume de espaço. Observe como é o cérebro de um mamífero por dentro:
Todas as regiões assinaladas na imagem (Amígdala, Hipocampo, Tálamo, Hipotálamo, Corpo Mamilar, Giro Cingulado e outros não representados) formam o chamado Sistema Límbico. Essa região, como dita anteriormente, é responsável pelas principais emoções.Comparando-se os cérebros de vários mamíferos, percebemos que, tanto o volume dessa área, quanto do neocortex, cresce bastante ao longo da evolução:
Percebam aquilo que citei anteriormente: há um aumento significativo no número de giros cerebrais (essas dobras que vemos no cérebro humano), além do também citado aumento de volume. Tais características parecem de fato estar na base de toda a nossa capacidade cognitiva racional e criativa. É conhecido, entretanto, na literatura científica, que alguns outros vertebrados como répteis, aves e até mesmo peixes, possuem capacidades de raciocínio acima do esperado (procurarei fazer uma postagem sobre esse assunto em algum momento). Também sabemos que é possível a existência de outras habilidades cerebrais diferentes das nossas em algumas espécies (também tema para outra postagem). Mas apesar de tudo isso, a teoria me parece bem próxima da realidade e explica bastante coisa. Vou parar por aqui hoje, mas em breve continuarei esses estudos em outra postagem. Pretendo entrar nas questões que envolvem aquilo que nos torna humanos e nossas diferenças de personalidade dentro desse espectro. Não percam! 😉


domingo, 19 de novembro de 2017

Acessando a Informação Genética

Dando continuidade à nossa jornada rumo à epigenética, hoje entenderemos como a informação genética é armazenada e acessada em cada uma das células. Primeiramente, precisamos conhecer o núcleo celular. O núcleo é o local onde todo o nosso material genético é armazenado. É delimitado por uma membrana chamada de carioteca (ou membrana nuclear), a qual é atravessada por vários poros, que permitem a troca de substâncias entre o interior do núcleo e o citoplasma celular. Em seu interior, há uma região chamada de nucléolo, o qual é responsável pela síntese de ribossomos (que por sua vez são responsáveis pela síntese de proteínas). Esses ribossomos podem ser encontrados aderidos à própria carioteca, ao Retículo Endoplasmático Rugoso (organela celular responsável pela produção de proteínas para exportação) ou simplesmente soltos e dispersos pelo citoplasma celular.
Detalhes do Núcleo: carioteca, poros, nucléolo e cromatina

Ainda no interior do núcleo, como pode ser visto na imagem acima, temos uma molécula completamente enrolada, a chamada cromatina. A cromatina, nada mais é, do que um filamento de DNA enrolado em proteínas chamadas histonas. Para facilitar a compreensão, imagine que você tem um filamento de barbante de 200m de comprimento, totalmente embolado no interior de uma sala. Se eu solicitar que você o desembole pra acessar uma informação em seu interior, terá certa dificuldade. Pra facilitar seu acondicionamento nessa sala, imaginemos então que você pega esse barbante, mede 2 metros e o enrola algumas vezes num pedaço de madeira. Então você dá um espaçamento de mais 2 metros e o enrola novamente em outro pedaço de madeira. Você repete o procedimento várias vezes até a extremidade do barbante.  Ao final do processo, você terá algo muito menos volumoso no interior da sala, um barbante compactado, enrolado em vários pedaços de madeira. Aquilo que deveria ter um comprimento de 200m, talvez tenha agora algo em torno dos 20m de comprimento (estou chutando valores para fins didáticos). O barbante é o DNA e os pedaços de madeira, as proteínas histonas. O conjunto é chamado de cromatina. O problema é que nosso DNA é tão grande que só esse procedimento, muitas vezes, não é o suficiente para uma compactação satisfatória. É nesse momento que a cromatina se enrola sobre ela mesma, formando o chamado cromossomo.
A molécula de DNA se enrola nas histonas, formando a cromatina, que por sua vez enrola-se sobre si mesma, formando o cromossomo.

Agora que já sabemos o que é um cromossomo, vale a pena ressaltar que nós temos 46 deles. São 46 pedaços de DNA enrolados, formando 46 cromossomos, dos quais 44 são chamados de autossomos e 2 são cromossomos sexuais (X e Y). O sexo humano é determinado desta forma, onde mulheres possuem 44A + XX e homens possuem 44A + XY. Lembrando ainda que metade desses cromossomos veio de nossos pais e a outra metade veio de nossas mães. Esses pares de cromossomos (1 do pai + 1 da mãe) são chamados de cromossomos homólogos.


Pares de Cromossomos Homólogos contém 1 cromossomo vindo da mãe e outro vindo do pai. Reparem o último par (os cromossomos sexuais). O sexo deste indivíduo é masculino.

Bom... agora que já sabemos como a molécula responsável por toda a nossa informação genética é armazenada, vamos entender como ocorre o acesso a essa informação. Em linhas gerais, podemos dizer que as regiões da cromatina que estão mais emaranhadas, chamadas de heterocromatina, são as regiões inacessíveis do DNA, enquanto que as regiões menos emaranhadas da cromatina, chamadas de eucromatina, são as regiões mais acessíveis. Sendo assim, se lembrarmos da postagem sobre genética molecular (acesse aqui), vamos perceber que nosso DNA contém TODA a informação sobre nosso corpo. Entretanto, nem toda essa informação é acessada por uma mesma célula. Uma célula da pele, por exemplo, terá acessível as informações para produção de queratina, melanina, pelos, e todas as outras estruturas necessárias à formação de nossa pele, mas não terá informações sobre neurônios ou células hepáticas acessíveis. Já um neurônio, por exemplo, terá acessível todas as informações necessárias à sua função, que é a de conduzir impulsos nervosos, mas não terá acessível informações sobre a pele ou ossos. No exemplo dado na postagem de genética molecular, se formos considerar o DNA como um manual de construção de uma casa, podemos dizer que as páginas do manual que conteriam informações sobre como construir prédios ou edifícios estariam grampeadas, inacessíveis. Então, sendo assim, tudo o que você poderia ler do manual e executar, seria mais uma casa igual à anterior...
 
É nesse sentido, inclusive, que diferenciamos células-tronco de células adultas. Uma célula-tronco é chamada de célula indiferenciada, no sentido de que ela ainda não se diferenciou, não se especializou. Por esse motivo, ela tem sua cromatina ainda inteiramente acessível, sem nenhuma parte "trancada". É por esse motivo que ela pode se diferenciar em qualquer outra célula. É como se ela tivesse todas as páginas do manual abertas. Ela pode acessar qualquer uma das páginas e construir aquilo que ela desejar. Já uma célula adulta, já sofreu processo de especialização. Ela já trancou algumas de suas páginas e, por isso, não consegue acessar essas informações, sendo capaz de produzir apenas aquilo que ainda está acessível, que não está enrolado nas histonas.

Agora imagine o seguinte: e se você conseguisse "trancar" ou "destrancar" partes da cromatina de um indivíduo deliberadamente? Você seria então capaz de alterar o funcionamento de suas células. Nesse sentido, apesar de não poder alterar o material genético de um indivíduo, você seria capaz de alterar a forma com que ele se expressa, apenas alterando as regiões acessíveis e inacessíveis do mesmo. Essa é a chave da epigenética, tema da próxima postagem dessa série. Não percam!😉

domingo, 12 de novembro de 2017

A Importância da Divulgação Científica


Divulgação Científica (chamada de Popular Science, nos países de língua inglesa) é uma forma de popularização do conhecimento científico, tornando-o mais acessível ao público não especializado. O objetivo da divulgação científica é fazer com que o conhecimento acadêmico, ou seja, aquele que é produzido por pesquisadores e cientistas em geral nas Universidades e Centros de Pesquisa, chegue às massas de uma forma bastante didática. Desta forma, espera-se que a população tome conhecimento dos avanços nas diversas áreas da Ciência e Tecnologia, apropriando-se dos conceitos mais importantes e podendo participar de forma ativa em qualquer debate relacionado a estes mesmos temas. É também uma maneira bem eficaz de estimular o surgimento de novos talentos no mundo científico, como o caso bastante conhecido do filme Jurassic Park (1993). Antes do filme, poucos se interessavam pela carreira de paleontólogo. Após o filme, ocorreu um verdadeiro “boom” de pessoas buscando esse tipo de especialização nas universidades. Podemos dizer então que Jurassic Park foi um excelente meio de divulgação científica, o qual contribuiu para a formação de inúmeros paleontólogos ao redor do mundo e fazendo com que a ciência da Paleontologia avançasse bastante nos últimos anos, levando a inúmeras descobertas não só no Brasil, como no mundo todo. Obras de ficção-científica normalmente têm esse poder: estimular a imaginação e criatividade das pessoas, levando-as a questionar o mundo que as cerca e a propor inovações e tecnologias disruptivas. Não é à toa que a maioria dos cientistas famosos é fã de algum tipo de obra ou franquia de Ficção Científica. A maior parte deles deve seu interesse na Ciência a essas importantes obras literárias ou cinematográficas. 

A Série de TV "The Big Bang Theory" é uma sitcom que mostra o dia-a-dia de jovens cientistas, os quais devem às obras de ficção científica toda a sua paixão pela ciência

Além dessas obras da ficção citadas, a TV também contribui bastante para esse tipo de divulgação. Documentários famosos produzidos por canais como Discovery Channel, National Geographic, History Channel e Animal Planet, entre outros, costumam atrair a atenção de crianças e jovens interessados em entender melhor fenômenos naturais ou o funcionamento de novas tecnologias. Muitos deles acabam tomando gosto pelas aulas de ciências em suas escolas ao encontrarem relação entre o conteúdo teórico e os programas que assistem. Animações que mostram crianças inventoras, transmitindo conceitos reais de ciência costumam ter grande impacto nas crianças menores. Não é muito difícil observar crianças brincando de cientistas e achando que se misturarem “pasta de dente” com “maionese” e “algum corante” estão criando uma “fórmula secreta” capaz de lhes conferir habilidades extraordinárias. A divulgação científica tem esse poder: o de fazer sonhar e o de desejar entender melhor os mecanismos da ciência para então, de fato, concretizar algum grande feito. Logo a criança costuma buscar programas mais técnicos como o antigo “Mundo de Beakman”, apresentado pelo ator Paul Zaloom (um divulgador das ciências nos EUA), o qual foi exibido no Brasil na década de 90. Ainda nos EUA, temos o famosíssimo “Bill Nye, The Science Guy”, o qual foi exibido também na década de 90. Bill Nye, entretanto, manteve seu status de divulgador da ciência mesmo após o término de seu show. Hoje, ele participa de programas televisivos, dando entrevistas ou debates em eventos relacionados a ciências.

 O Mundo de Beakman (Paul Zaloon)
Bill Nye - The Science Guy
Ao lado de Bill Nye, temos outros grandes nomes responsáveis pela divulgação científica nos dias atuais que também participam de eventos, debates e programas televisivos. Podemos citar o Astrônomo Neil deGrasse Tyson, protagonista da série Cosmos (2013) e muito famoso nas redes sociais por seu meme “Ui!”, fato que até hoje rende grandes risadas por parte do pesquisador. A série “Cosmos” contém 13 episódios e é um remake da antiga série Cosmos da década de 70, protagonizada por Carl Sagan, o qual foi mentor de Neil deGrasse em sua infância. Carl foi um dos maiores nomes da divulgação científica mundial e inspirou Neil a seguir a carreira de astrômono, fato que mostra a enorme importância da divulgação científica na formação das crianças. Vídeos desses dois grandes astrônomos podem ser encontrados hoje na internet, em sites de vídeos como o YouTube, onde falam sobre descobertas científicas importantes ou apenas sobre sua visão de mundo e sociedade.

O Astrônomo Neil deGrasse Tysson e seu famoso meme "Ui!"
(Neil, inclusive, é a capa desse blog, lá no alto, olhando as estrelas)

O falecido Carl Sagan, o maior de todos os divulgadores da ciência
(Muitas das frases desse blog são de sua autoria)

Além desses dois pesquisadores, é possível encontrar vídeos também de outros grandes nomes como o dos físicos Richard Feynman e Stephen Hawkins, além do biólogo evolucionista Richard Dawkins. No Brasil um dos maiores nomes é na divulgação científica é o do físico Marcelo Gleiser, o qual já publicou vários livros e participou da gravação de documentários educativos. Vale ainda ressaltar a importância de canais na internet como o “Manual do Mundo” de Iberê Thenório, através do qual milhares de jovens buscam experimentos para feiras de ciências em suas escolas ou apenas para conhecer mais sobre o assunto.

O já falecido físico Richard Feynmann e o ainda vivo Stephen Hawkings

 O Físico Brasileiro Marcelo Gleiser e o Divulgador da Ciência Iberê Thenório

Enfim... é possível citar dúzias de outros nomes e programas famosos, o que acabaria tornando este artigo numa interminável lista e este não é o propósito. A ideia é demonstrar que existem várias formas de se divulgar ciência às pessoas leigas, não especialistas. Livros, filmes, animações, histórias em quadrinhos, palestras, vídeos da internet... tudo é válido no sentido de estimular a curiosidade das pessoas acerca do mundo da ciência, fazendo com que desenvolvam uma postura mais crítica com relação ao mundo que as cerca, não aceitando conhecimentos prontos ou falácias lógicas, estimulando a formação de novos pesquisadores que contribuirão para o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico da sociedade. E para essa tarefa, é preciso que novos divulgadores científicos surjam a cada dia e popularizem ainda mais esse tipo de conhecimento. É preciso mostrar que o conhecimento científico não é inacessível. Ele pode ser mais simples e divertido, dependendo da estratégia que você utiliza. Para ser um divulgador da ciência, você não precisa ser necessariamente um cientista, mas apenas uma pessoa que se interessa pelo assunto e está disposto a estudá-lo. Nesse sentido, qualquer um pode contribuir para o avanço desse tipo de conhecimento. Então? E você? Quer se tornar também um divulgador científico? Se a sua resposta for “sim”, então junte-se a nós e mãos à obra! A ciência precisa de mais gente como você!

domingo, 5 de novembro de 2017

O que são Minorias, Afinal?

Ainda falando de ciência mas mudando um pouco o foco, hoje vou das ciências naturais em direção às ciências humanas. Essa semana, em uma discussão política com grandes amigos, nos deparamos com o termo "minorias". Independente do âmbito da discussão e independente de vertentes políticas e ideológicas, uma definição é sempre uma definição. Em ciência é importante delimitarmos os conceitos para uma perfeita compreensão dos fenômenos. A maior parte dos erros de comunicação e das desavenças entre as pessoas numa discussão como essas se deve a erros na comunicação. Muitas das vezes o que um determinado conceito representa para uma pessoa "A" não é a mesma coisa que representa para uma pessoa "B". Ou seja... ambas estão usando o mesmo conceito, mas com diferentes conotações, diferentes significados. Já imaginou, por exemplo, se uma pessoa "A" considera que "carro" é um objeto para se sentar? Ou uma pessoa "B" considera que "cadeira" é um meio de transporte? Quando a pessoa "A" diz "Fui na casa do meu amigo ontem, sentei no carro da sala dele e conversamos por horas" ou quando a pessoa "B" diz "Peguei uma cadeira e fui até o centro da cidade ontem" não nos parece fazer sentido algum. Mas para a pessoa que emitiu tal afirmativa faz total sentido. O problema é que a pessoa "A" está chamando "cadeira" de "carro" e a pessoa "B" está chamando "carro" de "cadeira". Mas essa pessoa não é imbecil, ignorante, alienada ou qualquer outro pejorativo similar. Ela apenas tem uma definição diferente para um mesmo objeto ou fenômeno. E por que essa pessoa tem uma definição diferente? Existem vários motivos para que isso ocorra, desde uma educação deficitária até a apropriação de conceitos falaciosos vindos da internet. Nesse momento, o que recomendo é a busca pela definição técnica, acadêmica, para a solução das desavenças. O que é uma "cadeira" e o que é um "carro" para um cientista ou especialista? O que é dito no meio acadêmico, universitário? Qual a definição padronizada pela comunidade internacional? Conseguem compreender a questão? Esse tipo de atitude ajuda na comunicação, diminui os atritos e favorece uma discussão saudável e harmoniosa entre as pessoas, algo que parece estar em falta nas redes sociais atualmente. Como foi dito nas primeiras postagens dessa nova fase do blog, nosso foco está não só no âmbito das "ciências", como também na "espiritualidade" humana (manifestada por essa harmonia e integração entre as pessoas, e destas com o universo). Ok?

Mas e o que são "Minorias", afinal? Para encontrar essa definição, busquei duas fontes. A mais direta e de fácil acesso é a própria wikipédia. Segundo essa fonte, "o termo minoria diz respeito a determinado grupo humano ou social que esteja em inferioridade numérica ou em situação de subordinação socioeconômica, política ou cultural, em relação a outro grupo, que é majoritário ou dominante em uma dada sociedade. Uma minoria pode ser étnica, religiosa, linguística, de gênero, idade, condição física ou psíquica. Minorias não são necessariamente perseguidas ou dizimadas pelo grupo dominante, mas historicamente existem numerosos casos de perseguições." (Wikipédia) Ainda segundo a página, existem algumas controvérsias no uso desse termos. Muitos a usam coloquialmente com o sentido de minoria numérica, o que nem sempre é o caso. Academicamente o uso é em relação ao "poder" desse grupo perante outro. Feagin (1984) determina que para ser considerada uma "Minoria", um grupo deve ter 5 características:

1) Sofrer discriminação e subordinação
2) Traços físicos e/ou culturais que os diferenciam e são desaprovados por grupos dominantes
3) Um senso de identidade coletiva e fardos comuns compartilhados
4) Regras compartilhadas socialmente sobre quem pertence e quem não pertence a essa categoria
5) Tendência de casamentos dentro do mesmo grupo

A segunda fonte que busquei foi justamente o site das Nações Unidas para ver o que é determinado pelos especialistas do mundo todo através dessa entidade internacional. Quem quiser ler o texto original, se encontra disponível aqui. Caso tenha dificuldade com o inglês, fiz uma tradução aproximada que pode ser lida abaixo. (E caso não se interesse pelo texto abaixo, pule para as considerações finais).

Minorias (Segundo as Nações Unidas)

Todos os países do mundo incluem pessoas pertencentes a grupos étnicos nacionais, minorias linguísticas e religiosas, as quais enriquecem a diversidade de suas sociedades. Embora exista uma grande variedade de situações nas quais essas minorias estão inseridas, algo em comum entre todas elas é o fato de que, frequentemente, minorias encaram múltiplas formas de discriminação, resultando em marginalização e exclusão. A aquisição de uma efetiva participação das minorias e o fim da sua exclusão requer que nós abracemos a diversidade através da promoção e implementação de padrões internacionais para os Direitos Humanos.
A proteção dos direitos humanos de minorias é garantida pelo artigo 27 do “Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos” e artigo 30 do “Pacto dos Direitos da Criança”. Entretanto, a “Declaração das Nações Unidas para os Direitos de Pessoas Pertencentes a Grupos Étnicos Nacionais e Minorias Linguísticas e Religiosas” é o documento que determina os padrões essenciais e oferece um guia aos Estados na adoção de uma legislação apropriada e outras medidas que assegurem os direitos de pessoas pertencentes a minorias. Em geral, Estados através de seus compromissos sob leis de tratados, e as próprias minorias e seus representantes podem influenciar o monitoramento e implementação de implementação dos Direitos Humanos, e trabalhar em direção a uma participação efetiva e inclusão.
O princípio da não-discriminação e de igualdade são os pilares fundamentais dos direitos Humanos e proteção legal das minorias , os quais constituem o cerne de todos os tratados nessa área. Esses direitos e liberdades se aplicam a todos e é proibida a discriminação com base em uma lista de categorias como raça, cor, religião, linguagem, nacionalidade e etnia. Respeitando esses dois princípios, os direitos humanos podem ser assegurados, incluindo o direito a uma participação efetiva de minorias nas tomadas de decisões, particularmente minorias femininas.
Os direitos das minorias estão sendo gradativamente reconhecidos como parte integral do trabalho das Nações Unidas para a promoção e proteção dos direitos humanos, desenvolvimento sustentável, paz e segurança. A OHCHR (Office of the High Comissioner of Human Rights), nesse sentido, tem um papel primordial dentro das Nações Unidas como o próprio escritório ressaltou, considerando a discriminação como uma das prioridades temáticas no período de 2010 a 2013. A OHCHR também tem assumido um papel primordial no trabalho da Inter-Agência com relação às minorias, alinhado com o artigo 9 da declaração, ao assegurar que esforços coordenados estão sendo realizados em direção ao avanço e priorização das minorias através do sistema das Nações Unidas.  
Dentro do escritório, a Seção de Populações Indígenas e Minorias” a e “Filial de Procedimentos Especiais” têm um importante papel na continuidade global dos direitos das minorias, através da implementação de atividades estratégicas e provindo suporte para o “Fórum de Assuntos das Minorias” a ao mandato do “Especialista Independente em Assuntos de Minorias”
Estabelecido pelo Conselho dos Direitos Humanos, na resolução 6/15 (28 de Setembro de 2007), O O “Forum de Assuntos das Minorias”, provê uma plataforma para a promoção do diálogo e cooperação em assuntos pertinentes a nacionalidades, etnias, religiões e linguagens das minorias. Sua sessão anual de dois dias junta várias centenas de especialistas, representantes de governos, ONG’s, pessoas pertencentes a minorias e outras partes interessadas para examinarem assuntos com temáticas específicas e focarem no direito à educação das minorias, participação política efetiva e participação efetiva na vida econômica. A próxima sessão do Fórum focará na garantia dos direitos às minorias femininas.[...]

Considerações Finais:

Minorias não são definidas por inferioridade numérica, mas sim por inferioridade em termos de poder (seja ele físico, cultural ou econômico). Normalmente não tem sua "voz" ouvida e não tem poder suficiente para mudar suas próprias condições. Por esse motivo as minorias têm seus direitos assegurados pelas Nações Unidas através da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ideia é evitar que essas minorias sofram discriminação, violência física ou psicológica e, até mesmo, em alguns casos, evitar que sejam exterminadas por grupos mais poderosos. Essa é a definição técnica, acadêmica, ponto que deve ser comum em uma discussão sobre o assunto. A partir daí, você pode discordar das políticas públicas nacionais perante uma determinada minoria. Existem "n" estratégias capazes de assegurar os direitos a esses grupos minoritários. Talvez você concorde com algumas dessas medidas, talvez você discorde. Você pode e DEVE discutir, argumentar, propor uma medida alternativa a essas medidas. O que você não pode fazer é deturpar a definição para benefício próprio em uma discussão. Tal atitude é que tem causado tanta discórdia e brigas nas redes sociais. 

Agora... Outra questão importante é o fato de algumas pessoas não concordarem que essas minorias tenham "direitos". Se você acha que alguma categoria de ser humano (qualquer ela que seja) não tem os mesmos direitos que outra categoria, você infelizmente está caindo em outra definição, que é a de "discriminação" (que ocorre por vários motivos também). Você pode até discutir se determinado direito é justo ou não àquela minoria com base numa comparação com a maioria. Mas dizer que determinado grupo não merece ter seus direitos atendidos é, por definição, discriminação. Pessoalmente acredito que você tem esse direito. Você pode pensar assim e até tem o direito de expressar o porquê de pensar assim. Mas a construção de um mundo harmonioso não passa por esse tipo de pensamento. E nesse sentido, é um pensamento diametralmente oposto à proposta desse blog. Nosso viés ideológico é o da harmonia entre as pessoas e a construção de um mundo pacífico e cientificamente evoluído.

Observação: Não sou da área de humanas, portanto, se tiver cometido algum equívoco nas minhas explicações, peço desculpas. Meu intuito é apenas mostrar que existem definições técnicas e que estas devem ser respeitadas numa discussão. Além disso, um dos objetivos é reforçar a ideia de que discussões precisam ser construtivas, levando ao progresso da sociedade, da humanidade, e não alimentando discórdia e o ódio entre as pessoas. Certo? 😉