Seasteading é um conceito que une a palavra sea (mar) com homesteading (que é o ato de se apropriar de uma nova terra ou recurso sem dono). Ou seja... seasteding é a criação de moradias ou até mesmo cidades inteiras em alto-mar, fora do mar territorial reivindicados pelas nações. O que parece um conceito absurdo, pode se tornar uma solução para uma população em crescimento exponencial, além de permitir que surjam nações livres da geopolítica dominante atual, algo similar ao projeto Asgardia, citado anteriormente neste blog.
De início, a maioria dos seasteads eram em cima de navios de cruzeiro, verdadeiras cidades flutuantes ou ilhas flutuantes. Mas até então, nenhuma delas ganhou reconhecimento como nação soberana. É o caso de Sealand, uma micronação criada em uma base naval perto de Sufolk, Inglaterra, e a organização Women on Waves, que é uma organização sem fins lucrativos que defende os direitos humanos das mulheres. Essa organização é montada sobre um navio que viaja fora das 200 milhas náuticas (370km) do mar territorial dos países, ou seja, em águas internacionais. A organização atraca em países que autorizam, levando contraceptivos, informações, workshops, etc. às mulheres, incluindo a realização de abortos seguros fora das águas territoriais dos países, onde suas legislações não os alcançam. A Rádio Verônica, é outro exemplo: uma estação de rádio pirata em alto mar.
Sealand (à esquerda) e Women on Waves (à direita)
Em 2008 ocorreu a criação do Seasteading Institute, instituição que vem facilitando o estabelecimento de comunidades flutuantes. O objetivo da instituição é, em suas próprias palavras, "permitir a próxima geração de pioneiros testar pacificamente novas ideias de governo, de forma que os mais bem sucedidos entre eles possam inspirar mudanças em formas de governo ao redor do mundo". É um projeto bastante audacioso que levará décadas para ser concretizado. Eles pretendem realizar o projeto através do "incrementalismo", ou seja, a quebra de uma grande visão em pequenos passos fáceis de serem concretizados (novamente, algo similar ao projeto Asgardia). A estratégia atual está centrada no projeto "Floating City Project" (Projeto Cidade Flutuante), a primeira seastead que será verdadeiramente uma cidade flutuante. O projeto conta com inúmeras pesquisas científicas realizadas em 2013 e 2014, onde cálculos sobre a dinâmica das ondas, estabilidade do terreno, densidade dos materiais, fluxo das correntes marítimas, etc., foram exaustivamente analisados. Os resultados geraram um documento que você pode ler na íntegra aqui, e algumas das imagens do podem ser vistas abaixo.
Observem a construção de pequenos módulos que podem ser guinchados por navios de uma baía para outra ou em direção ao alto-mar
No esquema acima, percebemos que os pequenos módulos podem dar origem a uma espécie de "bairro" como o visto em destaque na imagem acima, parte de um projeto muito maior que será completado pouco a pouco ao longo dos anos que se seguirão
Fase 3 do projeto que está sendo executada neste momento em território da Polinésia Francesa, nação que autorizou o uso de seu território para a montagem dessa micronação flutuante
Nos dias de hoje, muito tem-se discutido acerca das políticas nacionais e internacionais. Vivemos uma época de extremismos e de diálogo dificultado por reações emocionais exacerbadas, mentiras, fake news, etc. A dificuldade de se encontrar soluções reside principalmente no fato de que não há como se testar novas formas de governo ou conceitos de sociedades. Há cidadãos insatisfeitos que vivem em governos capitalistas mas gostariam de participar de uma experiência socialista democrática, assim como cidadãos de governos socialistas autoritários que gostariam de ter experiências de livre mercado. Hoje tais tipos de experiências não são possíveis. Com a criação de cidades flutuantes autônomas, todo e qualquer tipo de experimento político ou social pode ser conduzido: renda básica universal, livre mercado total, democracia direta (ou e-democracy), tecnocracia, enfim... uma infinidade de possibilidades podem ser testadas. Outro artigo interessante sobre o assunto pode ser encontrado aqui, e várias imagens de projetos podem ser vistas logo abaixo.
Mais uma vez, como gosto de dizer, em casos de dúvidas como esse, recorro sempre ao método científico. E quando falo em método científico, me refiro à sua real aplicação, não a metodologias distorcidas que vemos aplicadas ao mundo empresarial, jurídico ou político. A ciência em sua forma mais pura precisa ser imparcial, mesmo que as pessoas não sejam. Falaremos sobre a filosofia da ciência e todas as vertentes não científicas mais adiante. Até lá! ;-)
Finalizando a nossa "Trilogia das Gerações", hoje vamos entender melhor o conceito e detalhar a mais recente: a Geração Alpha!
Em primeiro lugar, temos de entender o conceito de "coorte histórico". Um coorte é um conjunto de indivíduos nascidos em um mesmo período histórico que, por este motivo, desenvolvem comportamentos característicos, impactando de uma maneira peculiar a sociedade em que vivem. Vimos nas postagens anteriores sobre que esse conceito de coorte ou "gerações", passou a ser utilizado no século XX. Em seguida, passou-se a dar letras do alfabeto para designá-las. A Imagem no topo deste artigo mostra que os indivíduos das gerações mais antigas que ainda estão vivos hoje, já têm mais de 70 anos de idade. Os Baby Boomers possuem algo entre 50 e 70 anos de idade. Indivíduos da Geração X (a minha) possuem algo em torno de 36 a 50 anos de idade, enquanto indivíduos da Geração Y estão na casa dos 21 a 35. A maioria das crianças e adolescentes em idade escolar pertencem à Geração Z, e estão na casa dos 6 a 20 anos de idade. E, por fim, aqueles que ainda nem completaram 6 anos já são chamados de Geração Alpha. Observem a composição populacional abaixo e sua respectiva projeção para os próximos anos, segundo institutos de pesquisa:
População por Gerações (em milhões de indivíduos)
Projeção Populacional até 2040 (Percentual)
Muitas áreas do conhecimento não aceitam a existência desse conceito, mas estudos na área de sociologia e demografia, entre outros, têm demonstrado que indivíduos que nascem num mesmo período de tempo tendem a ter comportamentos similares em decorrência de sua exposição à sociedade em que vivem. Em outras palavras, são frutos de seu "Zeitgeist". Se levarmos esse raciocínio para o âmbito das neurociências, perceberemos que a existência de um coorte histórico é totalmente plausível. Falaremos mais sobre neurociências em uma futura postagem, mas por hora basta entender que o arcabouço neuronal de um indivíduo é formado a partir dos estímulos que ele recebe do seu meio. Nesse caso, indivíduos que estão sujeitos a uma exposição a tablets, smartphones e outros tipos de mídia em seus primeiros anos de vida, terão um desenvolvimento cerebral diferente daquele ocorrido em gerações anteriores. Esse exemplo, inclusive, se refere à nossa próxima geração: a Geração Alpha.
8) Geração Alpha
Compreende indivíduos nascidos de 2010 até os dias atuais. São ainda MUITO novos, mas já apresentam características em comum que podem ser enumeradas. São crianças que já nascem expostas a uma tecnologia muito mais avançada que a das gerações anteriores. Nasceram num mundo com problemas ambientais alarmantes e uma produção de informação absurdamente alta, impossível de se acompanhar. Essas crianças são extremamente curiosas e espertas, aprendendo com uma grande facilidade, pois são bombardeada de estímulos. Provavelmente serão aquelas com a melhor educação de todas as gerações até então. Além disso, deterão o maior conhecimento tecnológico da história. Um sistema educacional voltado para essas crianças deve ser um sistema com foco na autonomia, baseado em projetos para aprender por meio de situações cotidianas. Crianças criadas dessa forma, provavelmente serão mais independentes e com maior habilidade em se adaptar a mudanças, competência essencial a um mundo em constante transformação. Seu relacionamento será menos hierárquico e mais horizontal. Serão desde cedo criadoras de conteúdo (já vemos, por exemplo, vários casos de crianças youtubers). Estarão conectadas à "internet das coisas", realidade aumentada, biohackings, impressoras 3D e 4D, terão produtos e serviços personalizados e sob medida. Nesse sentido, a educação para essas crianças deve caminhar mais em direção a um ensino voltado às necessidades e interesses desses alunos, e menos para o padrão sistematizado e hierárquico de tempos atrás. Pais e educadores se tornam cada vez mais orientadores do acesso à informação que se encontra disponível na palma de suas mãos. Se por um lado o conhecimento é de mais fácil acesso, por outro, um grande desafio se apresenta na forma das competências socioemocionais. Programas específicos para esse tema vêm sendo desenvolvidos em escolas na Finlândia, Estados Unidos, Austrália e Canadá, por exemplo. A habilidade em lidar com suas próprias emoções (Inteligência Emocional), para se comunicar, a criatividade, a responsabilidade, determinação, empatia, capacidade de tomar decisões e resolver problemas são exemplos de competências necessárias para lidar com o mundo atual. Essas competências são, inclusive, contempladas na Nova Base Curricular Comum Nacional para Educação Infantil e Ensino Fundamental que entrou em vigor este ano em nosso país.
Nota Pessoal: Como dito acima, crianças que nascem nessa era atual, já estão neurologicamente adaptadas ao mundo atual. É curioso que algumas são capazes de com tablets e smartphones intuitivamente, por assimilação do que os adultos fazem. Meu filho, por exemplo, que tem dois anos e meio, percebeu que um smartphone se usa deslizando os dedos sobre a tela em ziguezague e tentou reproduzir o movimento com cerca de 1 ano e meio de idade. Ele aprendeu a usar o meio digital antes mesmo de aprender a andar! E quando aprendeu a andar, tentou clicar nos ícones do Netflix na SmarTV. Percebem como ele entendeu o que era uma tecnologia "touch" sem ninguém ensiná-lo? (mas a TV não era touch e ele ficou frustrado... rsrs). Essas crianças que crescerão nesse mundo, repleto de informação precisam aprender a triá-la. Num mundo com tanta coisa a se fazer e com tanta coisa atrativa, os ambientes educacionais e profissionais se tornarão cada vez mais lúdicos, interativos, com horários flexíveis e menos hierarquizados. Chega de teoria, é a vez da prática. Chega de padronização, é a era do mundo personalizado. Alguns especialistas, entretanto, alertam para o fato de que um ambiente hiperestimulado deve dar lugar a um ambiente mais calmo e tranquilo de vez em quando. A criança precisa desenvolver outras habilidades longe desse mundo tecnológico. Nós vimos que todas as gerações anteriores tiveram vantagens sobre as predecessoras, mas cometeram alguns erros não previstos. Talvez um dos erros que essa geração possa cometer seja exatamente esse: o de esquecer o mundo real e trocá-lo pelo virtual. Devemos lembrar que crianças precisam ser crianças e brincar como crianças. Deve existir um equilíbrio!
Observação: Existe um conceito muito utilizado hoje em dia que é o de "crianças índigo". Segundo essa crença, os índigos seriam crianças especiais nascidas no mundo atual com o objetivo de levá-lo a uma "nova era". É muito utilizado por místicos, esotéricos e espíritas. Em termos científicos, esse estudo é meramente uma pseudociência (falaremos sobre pseudociências em outra oportunidade). O objetivo deste blog é tentar explicar o universo e a sociedade dentro de uma perspectiva científica e, portanto, o conceito de crianças índigo não cabe aqui. Entretanto, estou citando-o apenas para compará-lo com a Geração Alpha que acabamos de conhecer. Há uma proximidade conceitual entre elas. E nesse sentido, a explicação para a existência de crianças inteligentes e intuitivas não seria sobrenatural, mas sim neurológica. ;-)
Dando continuidade ao assunto, hoje vamos às 3 gerações que convivem atualmente em maior quantidade, as polêmicas gerações X, Y e Z. Quem são, como agem e o que pensam?
5) Geração X
Esse termo é utilizado para designar os nascidos nas décadas de 70 ao início da década de 80, geração da qual faço parte. Somos filhos dos Baby Boomers. Nascemos como resultado daquela geração conflituosa anterior. Experimentamos as mudanças nos valores sociais iniciadas na geração anterior e, como resultado da entrada das mulheres no mercado de trabalho, e um crescimento alto nas taxas de divórcio, crescemos com uma supervisão parental MUITO menor do que nas gerações anteriores. Crescemos ligados na TV, na chamada "Geração MTV" (a antiga Music Television). Presenciamos o surgimento da cultura Grunge, do Hip-Hop, do Rock Alternativo e da explosão do cinema americano. Pegamos uma geração mais focada nos adultos e menos nas crianças, onde os valores sociais antigos (o da família onde o casal fica junto, não importando os problemas) deram lugar ao valor da autorrealização individual e parental. Pegamos também o início da "revolução sexual", onde casais mudavam com frequência. Tudo isso culminou em adultos, na década de 90 aos anos 2000, conhecidos como a "Geração Friends" (por conta do seriado de TV de mesmo nome). No mercado de trabalho, fomos considerados mais apáticos e relaxados que os anteriores. Socialmente fomos considerados cínicos, vazios, sem afeições. Mas conforme essa geração avançou, entretanto, passamos a ser vistos como uma geração autônoma e empreendedora. Acabamos ganhando uma autoconfiança e otimismo inexistente nas gerações anteriores. Tudo isso levou ao crescimento exponencial da indústria tecnológica e do entretenimento que vivemos ainda hoje. Somos vistos no meio empresarial como independentes, cheios de recursos, adaptáveis, pragmáticos, bem-resolvidos, céticos quanto às autoridades e buscando uma vida mais balanceada, entre trabalho e lazer. Crescemos na era da Globalização. O Google, a Wikipédia, o YouTube, a Amazon, são adventos resultantes dessa geração. Quanto medidos os graus de felicidade e satisfação, atingimos os mais altos patamares nos estudos. Em termos de educação dos filhos, não somos pais tão controladores quanto os Baby Boomers. Em vez disso, damos oportunidade aos nossos filhos aprenderem por conta própria através de pequenos erros, intervindo apenas em problemas maiores. Somos a geração com a maior porcentagem de pessoas engajadas em serviços voluntários e assistência social. Somos considerados também os maiores resolvedores de problemas e com a maior ética profissional. Estamos no intermediário entre os baby boomers e os millennials em vários aspectos no âmbito político, social, educacional e uso de mídias sociais.
Nota Pessoal: Essa geração não começou bem. As conquistas sociais da geração anterior foram importantes, mas a sociedade parecia ainda não estar preparada (o que não quer dizer que tais conquistas não deveriam ter sido almejadas). Entretanto, o que pareceu um erro, acabou resultando em um acerto também. A independência e autonomia dessa geração se deveu ao fato de terem sido negligenciados pelos pais (o que não significa que essa seja uma atitude correta). Percebam que, provavelmente, o mais adequado se encontra no intermediário entre os dois: os pais devem dar autonomia aos seus filhos, mas sem negligenciar a educação em problemas maiores, evitando o grande número de delinquentes juvenis que surgiram também nesse período. Talvez o índice de criminalidade crescente nos grandes centros urbanos mundiais também se deva a esse fato. Outro problema é que a Geração X começou a pensar como os Baby Boomers, acreditando serem melhores que as demais gerações, tanto anteriores, quanto posteriores.
Geração Friends - Um Trecho de um Episódio da Série
Michael Jackson - Um dos Maiores Ícones da Cultura Pop dessa Geração
6) Geração Y
Nessa geração encontramos os nascidos do final da década de 80 até a década de 90. É a geração logo após a minha. São chamados de Millenials por terem nascido no final do milênio. É a geração que cresceu junto à internet! Cresceu em meio à prosperidade econômica, ao fácil acesso aos bens materiais e acompanhou o grande avanço tecnológico. Devido aos grandes estímulos na infância, é uma geração multitarefa, capaz de realizar várias atividades ao mesmo tempo. Curiosamente, essa geração é exclusivamente urbana, visto que as mesmas mudanças não ocorreram no campo. Se na geração anterior, crescemos com a durabilidade dos produtos, a geração Y cresceu numa era de descartabilidade e das atualizações tecnológicas constantes, ou seja, em meio a uma efemeridade dos produtos. Houve com isso uma mudança no mercado de trabalho, levando o profissional a ter de se atualizar com maior frequência. Além disso, trabalhos mecânicos e braçais começaram a dar lugar a trabalhos mais ligados à criatividade e inovação. É uma geração que, com isso, nunca foi muito acostumada a grandes esforços. Além das facilidades mencionadas, muitas vezes tiveram pais (da Geração X) que tentaram compensar materialmente seus filhos pelas suas faltas afetivas. No mercado de trabalho, acabam não querendo se sujeitar a tarefas "menores" e almejam sucesso rápido e sem esforço. São imediatistas. Além da grande facilidade no uso de novas tecnologias e capacidade de adaptação às mudanças constantes, é uma geração que já nasceu num mundo globalizado. Com isso, suas formas de comunicação são bem diferentes da geração anterior. São capazes de estabelecer vínculos fortes com pessoas que estão à distância, através dos celulares e redes sociais. A troca de informação entre as pessoas e, com isso, o enriquecimento cultural das populações aumentou bastante nessa geração. A produção de conteúdo se tornou frenética e informações podem ser acessadas a qualquer hora, em qualquer lugar. O mercado se adaptou para atender essas pessoas que são ávidas por novidades, daí os conteúdos produzidos também serem bastante descartáveis. O problema disso é que, apesar de terem mais acesso à informação, só atingem a sua superficialidade (o chamado conhecimento "fast food"). Com isso, os posicionamentos políticos e ideológicos se tornaram menos embasados que os da geração anterior. O consumismo acabou tomando conta dessa geração e, aliado à descartabilidade dos produtos, gerou uma degradação ambiental sem precedentes. Também pode ser chamada de "Geração Peter Pan", pela demora que alguns tem em amadurecer, vivendo muito mais tempo com os pais do que nas gerações anteriores. Em compensação, por passarem mais tempo aprendendo, evitam bem mais os erros profissionais e de relacionamento que as gerações anteriores cometeram. Com o avanço da justiça social, os Millennials trouxeram de volta o "politicamente correto" e saíram em defesa das minorias, fato não tão bem aceito pelas gerações anteriores, chamando-os pejorativamente de "geração floco de neve" (snowflake), por "derreterem facilmente", não serem duros, resilientes, e reclamarem demais.
Nota Pessoal: As habilidades desenvolvidas pelos indivíduos dessa geração são imprescindíveis para o mundo atual. Tanto que pessoas da Geração X que não acompanharam essas mudanças têm cada vez mais dificuldades e estão ficando para trás. A produção frenética de novos conhecimentos e conteúdos é uma espécie de "rolo compressor" que esmaga essas pessoas. Entretanto, membros dessa geração precisam trabalhar melhor a paciência, combatendo a visão imediatista. Devem também combater a descartabilidade gerada, pois o meio ambiente não está aguentando mais essa pressão. Vale ressaltar que essa é uma geração considerada por muitos como uma geração
frustrada. Isso porque é uma geração extremamente qualificada e que não
encontrou oportunidades num mercado já saturado, que busca na realidade
empregados mais baratos. É uma geração que ainda valoriza a formação
acadêmica, quando profissionais de nível técnico ganham muitas vezes
mais do que eles. São pessoas que precisam investir numa visão empreendedora (tanto que 44% dessa geração tem como preferência o empreeendedorismo)
7) Geração Z
São aqueles nascidos nos inícios dos anos 2000 até mais ou menos 2015. São chamados também de iGeneration, Plurais ou Centennials. Essa geração já nasceu num mundo onde sempre existiu internet, redes sociais e smartphones. São, por isso, muitas vezes chamados de "nativos digitais". Essa geração apresenta uma curiosa mistura: alguns são filhos de millenials, mas muitos ainda são filhos da Geração X (levando-se em conta que a Geração X passou a ter filhos mais tarde. Eu, por exemplo, tive um filho em 2015 e terei outro este ano, mesmo sendo da Geração X). É uma geração que pegou a grande recessão provocada pela crise de 2008 e, por esse motivo, tendem a ser mais independentes e com desejos empresariais, pois viram seus pais sofrendo como força de trabalho. Presenciaram o encolhimento da classe média e o aumento do nível de estresse nas famílias. Os alunos dessa geração se auto-identificam como leais, compassivos, pensativos, mentes abertas, responsáveis e determinados. Entretanto, enxergam outros da mesma geração como competitivos, espontâneos, aventureiros e curiosos, características que não identificam em si próprios. Alguns autores dizem que sua competência leitora vem sendo modificada devido à familiaridade digital. Sua frequência a igrejas, curiosamente, chega a 41%, comparado com 18% dos Millenials, 21% da Geração X e 26% dos Baby Boomers. É uma geração avessa a riscos. O número de jovens que experimenta álcool caiu e os que usam cinto de segurança aumentou. As taxas de gravidez na adolescência reduziram, assim como o abuso de drogas e abandono dos estudos, comparado com os Millenials. Passam muito mais tempo na internet que as gerações anteriores e, alguns acreditam que usam o meio digital como fuga dos problemas que encontram no mundo offline. Pesquisadores em educação dizem que o uso de smartphones oferece o potencial de uma experiência de aprendizagem mais profunda e de instrução individualizada, levando a uma geração bem mais educada. Em contrapartida, estão preocupados com a dependência tecnológica e a falta de regulação desse uso. Essa geração, mesmo se irritando com alguns aspectos das redes sociais mais famosas, ainda assim participa delas como meio de socialização. Dão preferência a aplicativos e comunicadores mais rápidos e usam bastantes emojis. usam a internet como meio de desenvolver habilidades sociais aplicadas em situações da vida real, além de aprender coisas de seu próprio interesse. Adolescentes passam a maior parte do tempo online, comunicando-se com pessoas com quem interagem no dia-a-dia, enquanto as redes sociais são usadas para obter notícias globais e manter contatos. Os pais se preocupam com o uso exagerado das redes sociais e os filhos se sentem irritados com essa preocupação excessiva e controle. Um aspecto negativo é que eles são menos hábeis no contato cara-a-cara e tendem a se sentir mais solitários, ansiosos e frágeis. Eles exibem uma enorme preocupação com aquilo que os outros pensarão de suas postagens. Meninas são mais afetadas por esse fenômeno que meninos. Elas experimentam baixa autoestima e fragilidade emocional mais elevada, em boa parte devido a cyberbullying (que é mais comum agora do que foi para os Millennials). A Geração Z desenvolveu a economia sob demanda (produtos e serviços oferecidos imediatamente sob demanda). Na educação valorizam a obtenção de uma graduação na obtenção de empregos. O empreendedorismo tem se tornado comum no currículo das escolas. As novas tecnologias favorecem oportunidades de abrirem negócios mais cedo. Suas ideias podem ser "vendidas" mesmo sem sair de casa. No âmbito político, a Geração Z tende a ser mais conservadora que a anterior e mais pessimista quanto à economia. Profissionalmente, estão bem preparados para um ambiente empresarial global e procuram algo além de um emprego: buscam uma atividade profissional que ajude a mudar o mundo. São ávidos por participar ativamente da comunidade. Eles já começam nos empregos de uma maneira melhor do que da Geração Y.
Nota Pessoal: A geração Z é de fato a geração "on demand". São autodidatas e gostam de trilhar seu próprio caminho. Não gostam de hierarquias e horários inflexíveis. Não aceitam as normas de trabalho, são questionadores e pró-ativos. Por todas essas características acabam sendo muito voltados ao empreendedorismo, ao trabalho dentro de casa, à produção de seu próprio conteúdo, etc. Por terem crescido num mundo onde o terrorismo se tornou mais comum, onde a degradação ambiental atingiu patamares inconcebíveis e as crises econômicas geraram recessão e instabilidade global, acabam não sendo só motivados pelo dinheiro, mas também pela vontade de "salvar o mundo". Como a geração anterior se preparava demais e falhava no mercado de trabalho, estes já são mais objetivos, pragmáticos, realistas. São cautelosos e céticos com relação às grandes empresas. É uma geração que veio para mudar o mundo. E tomara que consigam!
Diariamente ouvimos falar sobre diferentes gerações. Frases como "essa geração é mais agitada", "a minha geração era mais sábia", "a geração dos meus pais era isso ou aquilo" e por aí vai. No meio empresarial usa-se muito os termos Geração X, Y ou Z. Na internet ouvimos falar sobre os Millennials. Mas o que são essas gerações, como foram formadas e como pensam de fato?
1) A Geração Perdida
O uso do termo "geração" para um conjunto de pessoas nascidas no mesmo período de tempo sempre existiu. Mas o uso de um termo para designar uma geração em específico parece ter surgido no final do século XIX, com a chamada "Geração Perdida", a qual corresponde às pessoas nascidas entre 1883 e 1900 e que lutaram na 1ª Guerra Mundial durante sua juventude. O termo é atribuído inicialmente por Gertrude Stein (uma escritora e poeta americana) mas foi popularizado pelo escritor Enerst Hemingway (conhecido por sua principal obra "O Velho e o Mar"). Essa geração atravessou os chamados "Loucos Anos 20" e a Crise de 1929. Por terem vivenciado todos esses problemas, tornaram-se adultos individualistas e conhecidos por quebrarem regras. Dessa geração, além dos famosos escritores Ernerst Hemingway, James Joyce e T.S. Eliot, nasceram também: Charles Chaplin, Babe Ruth, Alfred Hitchcock, Louis Armstrong, Al Capone e figuras que seriam importantes na 2ª Guerra Mundial como Mussolini, Hitler, Mao Tsé-Tung, Truman, Eisenhower, entre vários outros nomes.
Nota Pessoal: Talvez esse individualismo e o desprezo por regras tenham sido os responsáveis pela ascensão do fascismo, que culminou na 2ª Guerra Mundial. As pessoas começaram a pensar em si próprias e em seus objetivos, não importando o que teriam de fazer para alcançá-los.
Chaplin em seu clássico filme "O Grande Ditador", onde imita Adolf Hitler
Louis Armstrong e sua belíssima canção "What a Wonderful World"
2) A Geração Grandiosa
Esse termo foi cunhado pelo jornalista e escritor Tom Brokaw para designar os indivíduos nascidos já durante a grande depressão e que lutou na 2ª Guerra Mundial em sua juventude. Eles vivenciaram o surgimento de inovações tecnológicas como o rádio, o telefone e a TV, além de um grande crescimento das desigualdades (entre brancos e negros, homens e mulheres, etc.). Nasceram nessa geração, os famosos artistas Clarke Gable, Greta Garbo, Henry Fonda, Lou Costello, John Wayne, Gene Kelly, Orson Welles, Kirk Douglas, Ava Gardner, Marlon Brando, escritores como George Orwell, Ian Fleming, Joe Shuster, Bob Kane, Jack Kirby, Isaac Asimov, Stan Lee, o pintor Salvador Dali, os políticos George W. Bush, Kennedy, Nixon e Ronald Reagan, além de Walt Disney, Madre Teresa e os cantores Nat "King" Cole e Frank Sinatra, entre vários outros.
Nota Pessoal: Talvez, tendo crescido em famílias individualistas, passando as dificuldades da crise econômica, ouvindo as histórias de seus pais sobre a 1ª Guerra e enfrentando a maior de todas as guerras, essa geração tenha se preocupado muito com os seus familiares e seus similares, daí o crescimento das desigualdades no mundo. É uma geração que desconfia daqueles que são diferentes. Por isso tendem a ser conservadores, nacionalistas e, muitas vezes, racistas e xenófobos.
Frank Sinatra cantando "Garota de Ipanema" com Tom Jobim
Nat "King" Cole cantando a clássica "When I Fall in Love"
3) A Geração Silenciosa
Esse termo foi utilizado entre a Grande Depressão e a 2ª Guerra Mundial. Em idade adulta presenciaram a Guerra da Coreia, o nascimento do Rock na década de 50 e dos direitos civis na década de 60. São chamados de "silenciosos" porque eram conformados com as normas sociais e focaram mais em suas carreiras do que em ativismos. Foi um período que levou ao crescimento econômico do pós-guerra, mas que acirrou ainda mais as desigualdades sociais. Foi uma geração menor, devido ao fato de terem crescido em um período de escassez e seus pais terem tido poucos filhos. Por ter sido uma geração menor, houve melhores oportunidades de emprego, saúde e aposentadoria. Por isso também foram chamados de "The Lucky Few" (os poucos sortudos). Nessa geração nasceram Martin Luther King Jr, o atual Dalai Lama, Malcolm-X, Fidel Castro, Che Guevara, Kofi Annan, Silvio Berlusconi, Mikhail Gorbatchev, Sadam Hussein, Solobodan Milosevitc, os artistas Brigitte Bardot, John Cleese, Judy Dench, Audrey Hepburn, Sophia Loren, Shirley MacLaine, Marilyn Monroe, Jane Fonda, Elizabeth Taylor, Shirley Temple, Gen Wilder, James Dean, Robert Duvall Clint Eastwood, Morgan Freeman, Gene Hackman, Dustin Hoffman, Anthony Hopkins, Denis Hopper, James Earl Jones, Steve McQueen, Jack Nicholson, Al Pacino, Christopher Plummer, Robert Redford, Burt Reynolds, Leonard Nimoy, William Shatner, George RTakei Adam West e os músicos Little Richard, Chuck Berry, Ray Charles, B.B. King, Neil Diamond, Bob Dylan, além de importantes nomes como o do linguista Noam Chomsky e o boxeador Muhammad Ali. Nota Pessoal: Foi uma geração que cresceu num período melhor e teve mais filhos (o que refletiu na geração seguinte), mas presenciou tanta desigualdade social que deu origem aos diversos movimentos contestatórios que existem até hoje. Movimentos pela igualdade racial, feminismo, além de revoluções socialistas que culminaram na Guerra Fria são provavelmente o resultado de uma geração que cansou de ver a desigualdade brotar e resolveu tomar alguma atitude.
Chuck Berry com a clássica "Jonny Be Good", uma das músicas que inaugurou o Rock N' Roll
Little Richard e outro clássico do Rock N' Roll "Long Tall Sally"
4) A Geração "Baby Boom"
Essa geração é resultado da anterior. São pessoas nascidas na década de 50 e 60, que já pegaram o crescimento econômico e por isso tiveram muitos filhos, daí o termo "baby boom". Os baby boomers são conhecidos por rejeitar os valores tradicionais. Devido à sua infância mais segura e melhores condições de educação e saúde, são conhecidos por serem hoje pessoas privilegiadas em detrimento das gerações seguintes. Foi a geração que iniciou a onda de consumismo na qual estamos imersos ainda hoje. É uma geração que tende a se achar "especial", pois progrediram muito mais que as gerações anteriores e acreditam manter valores melhores do que as gerações posteriores. É a geração que mostra a maior quebra de paradigmas culturais entre o conservadorismo e o progressivismo de todas. Esses movimentos contestatórios começaram na época da Guerra do Vietnã e se estenderam até os dias de hoje, onde entretanto, os baby boomers se tornaram os conservadores da vez por acharem que a sua geração era a melhor de todas. Nos EUA os antigos baby boomers acabaram se tornando "Democratas" enquanto os mais recentes se tornaram "Republicanos". Eles vivenciaram culturalmente movimentos como a Beetlemania e o Festival Woodstock. Foi a primeira geração a crescer já com o advento da TV em suas casas, fator de extrema importância na cultura e educação a partir de então. Os programas infantis como Mickey Mouse, as séries de TV como Batman e Além da Imaginação contribuíram na formação desses indivíduos. Vivenciaram ainda a Guerra Fria, a crise de Mísseis em Cuba, o assassinato de Kennedy, a chegada do homem à Lua, a liberdade sexual, uso de drogas e a explosão de movimentos sociais. Políticos como Bill Clinton, George W. Bush (filho), Thereza May, Tony Blair, Al Gore, Barack Obama, Donald Trump, etc., são todos nascidos nessa geração e ainda estão em ativa hoje. Nasceram ainda nessa geração Kareem Abdul-Jabbar (jogador de basquete), Whitney Houston, Anjelica Huston, John Belushi, Jeremy Irons, Michael Jackson, Steve Jobs, Elton John, Tommy Lee Jones, Michael Jordan, John Bon Jovi, Bono Vox, Gary Kasparov, Diane Keaton, David Bowie, Stephen King, Jeff Bridges, David Letterman, Nicholas Cage, Príncipe Charles, Deepak Chopra, David Lynch, Madonna, Bill Maher, Glenn Close, Alice Cooper, David Cooperfield, Kevin Costner, Eddie Murphy, Demi Moore, Michael Moore, Olivia Newton-John, Tom Cruise, Jamie Lee Curtis, Willem Dafoe, Ted Danson, Johnny Depp, Princesa Diana, Sean Penn, Christopher Reeve, Richard Dreyfuss, Lou Ferrigno, Kurt Russel, Arnold Schwartzenegger, Sally Field, Jodie Foster, George Foreman, O.J. Simpson, Steven Spielberg, Bruce Springsteen, Sylvester Stallone, Maryl Streep, Patrick Swayze, James Taylor, Mel Gibson, Whoopi Goldberg, John Travolta, John-Claude Van Damme, Denzel Washington, Bruce Willis, Oprah Winfrey, Steve Wonder, Weird Al Yankovic, Mark Hamill, Tom Hanks, entre vários outros, ou seja, é a geração que influenciou a minha geração (a próxima) e que de certa forma nos influencia até hoje!
Nota Pessoal: Ao meu ver foi a geração que gerou a cisão político-ideológica na qual estamos imersos ainda hoje. De um lado, os primeiros baby boomers são mais progressistas e lutam por igualdade e direitos sociais. Já os baby boomers seguintes, são os arrependidos que acreditam que os valores se perderam com o tempo, portanto, são mais conservadores e tendem a pensar no progresso do indivíduo e na eficiência do Estado em que vivem (já que esse crescimento econômico foi o que lhes garantiu uma boa vida em sua geração). Talvez hoje, a polarização político-ideológica "esquerda/direita" tenha surgido dessa cisão que começou com os baby boomers. As gerações seguintes acabam sendo então cooptadas ideologicamente ou por um lado, ou pelo outro. E o resto, vocês já conhecem...
The Beatles - Ticket to Ride, uma entre inúmeras músicas famosas da banda
O inigualável festival de Woodstock
A partir daí surgiram as gerações X, Y e Z. Entretanto, como o artigo acabou ficando grande demais, resolvi dividi-lo em duas partes. As gerações seguintes serão contempladas em outra postagem.
Você já deve ter ouvido falar em "Asgard", um dos 9 mundos da mitologia nórdica, mundo onde vivem os famosos deuses aesires, representados atualmente na cultura pop pelos personagens da Marvel Comics. Mas você já ouviu falar de "Asgardia", uma nação espacial que está sendo criada? Se nunca ouviu falar e tem curiosidade de saber mais... Acompanhe nossa próxima postagem!
O cientista e empresário russo, Igor Ashurbeyli, é fundador do Aerospace International Research Center (AIRC), um centro internacional de pesquisas espaciais, localizado em Viena, Áustria. Em Setembro de 2016 anunciou ao mundo um projeto extremamente ambicioso e inusitado: a fundação da primeira nação espacial, com uma constituição, moeda e sistema político devidamente reconhecidos pela ONU. Asgardia, também conhecida como "Reino Espacial de Asgardia", é formado por pessoas provenientes de várias partes do mundo que se candidataram a receber cidadania asgardiana. Os 10 países que mais enviaram cadastros se encontram na tabela abaixo:
A ideia, por mais louca que pareça, é a de criar uma nação independente da influência das demais já existentes na Terra. Uma ideia similar já ocorreu em 1949, quando o escritor e relações públicas James Thomas Mangan propôs a criação de "Celestia" ou "Nação do Espaço Celestial", mas o planos acabou não saindo do papel. Diferente de Mangan, Ashurbeyli não só sistematizou melhor os planos, como fechou parceria com a NASA e já lançou seu primeiro satélite em 12 de Novembro de 2017. O satélite, medindo 10x10x20cm, e pesando 2,8 kg, chamado de "Asgardia-1", pegou carona à bordo do veículo comercial da NASA OA-8 Antares-Cygnus, carregando 0,5 TB de dados pertencentes a 18 mil cidadãos asgardianos. Dentre os dados encontram-se fotografias, a representação da bandeira asgardiana (no topo dessa postagem) e versão atual de sua constituição. O objetivo foi firmar legalmente um território no espaço, uma espécie de pedra fundamental da nação.
Foguete lançado pela NASA que carregou o nanossatélite, Asgardia-1
No momento estão tentando ganhar reconhecimento da ONU como uma nação soberana e elegendo um parlamento de 150 membros. Mais de 114.000 pessoas, oriundas de 204 países estão inscritas para receber a cidadania asgardiana. A ideia é ir lançando satélites e espaçonaves com módulos que irão se acoplando a Asgardia-1, da mesma forma que foi feita com a ISS (Estação Espacial Internacional). As concepções artísticas mostram vários andares internos, com moradias, ruas arborizadas e veículos maglev como sistema de locomoção.
Concepção artística da nação, após várias missões de acoplagem.
Mirantes ou Docas Espaciais (Espaçoportos)
Moradias e ruas arborizadas
Transportes Maglev
Lagos e bastante verde (para manutenção do oxigênio interno)
Sua constituição foi adotada em 18 de junho de 2017 e se tornou efetiva em 9 de Setembro de 2017. Seu centro administrativo, atualmente, encontra-se em Viena, Austria (no centro espacial citado anteriormente). Asgardia planeja dentro de pouco tempo se tornar "guardiã espacial de todo o conhecimento humano". Tudo isso parece coisa de ficção científica, não? Mas está pouco a pouco se tornando verdade. Seguem os dados oficiais, até o momento:
ASGARDIA
Lema: Uma Humanidade, Uma Unidade
Capital: Asgardia-1 (satélite)
Língua: 10 Idiomas Oficiais
População: 181.346
Moeda: Solar
Fundação: 12/10/2006
Sistema de Governo: Parlamentarismo
Legislatura: Unicameral (150 membros)
Chefe de Estado: Igor Ashurbeyli Chefe de Governo: Mikhail Spokoyny
A natureza humana faz referência ao conjunto de traços
diferentes - incluindo maneiras de pensar, sentir ou agir - que os seres
humanos tendem a ter, independente da influência da cultura. As
questões sobre quais são essas características, o quanto elas podem ser
mudadas, e o que as causa estão entre as questões mais antigas e
importantes da filosofia ocidental. Tais questões têm impactos imensos
em ética, política e teologia, bem como em arte e em literatura. Os
múltiplos ramos das ciências humanas exercem um papel importante nesse
debate.Os ramos da ciência contemporânea associados com o estudo da natureza
humana incluem a antropologia, a sociologia, a sociobiologia, a
psicologia, sobretudo a psicologia evolutiva, que estuda a seleção
natural na evolução humana, e a psicologia comportamental. Nos últimos
trinta anos, com o avanço das ciências da informação e biologia
genética, o debate "natureza versus meio" se reacendeu, carregado de
complexidades, com grandes impactos na política e filosofia do começo do
século XXI. (Wikipédia)
Hoje eu pretendo deixar apenas uma reflexão a respeito do tema. Tenho percebido em inúmeras discussões com as quais topo por aí nas redes sociais, que a razão de muitas das vertentes ideológicas se deve à concepção que cada um tem de "Natureza Humana". Há aqueles que julgam o homem como "maligno, corrupto e falho por natureza". Pessoas que acreditam nisso, tendem a ser mais pessimistas com relação à humanidade. São aquelas que acham que tudo que vier da humanidade tende a dar errado. São aquelas que acreditam que o controle aversivo e a hierarquização da humanidade se fazem necessários. Há aqueles que acreditam que o ser humano é "bom e puro por natureza". São aqueles que tendem a acreditar que o meio é o principal corruptor do ser humano e que, alterando-se esse meio, altera-se a humanidade. Existem vertentes dentro dessas que citei, mas acredito que essas duas são as principais. (Obs: Não sou especialista em nenhuma das áreas citadas e, portanto, esse artigo aqui é mais voltado para uma visão pessoal e parcial do assunto. É possível que eu cometa alguns equívocos aqui. E se você, leitor, perceber algum deles, por favor... fique à vontade para criticar e corrigir-me, citando, obviamente, a fonte do estudo em questão.)
A Etologia (ciência do comportamento animal) já comprovou em diversos estudos que existem comportamentos inatos (de nascença) e comportamentos adquiridos. Pegando um exemplo rápido para ilustrar, o uivo de um lobo é algo inato, determinado geneticamente. Filhotes de lobos foram coletados do ambiente e separados do convívio com qualquer outro membro de sua espécie. Estes filhotes, ao atingirem determinado grau de maturidade, sentem o ímpeto de uivar sob a luz do luar. O fato de terem sido criados na ausência de qualquer membro de sua espécie exclui automaticamente a chance deles terem aprendido a uivar socialmente. O uivo é algo inerente à espécie. Mamíferos, de forma geral, possuem reflexo de sucção de nascença. Se você pegar um filhote recém-nascido de qualquer mamífero e introduzir o dedo indicador na sua boquinha, ele tentará mamar como se fosse a teta de sua mãe. Novamente, neste caso, ninguém ensinou o filhote a mamar. Ele simplesmente sabe! É algo inato, determinado geneticamente. Podemos dizer que todos esses casos fazem parte da natureza daquela espécie em questão, concordam?
Agora vamos ao ponto polêmico e sem resposta: "E quanto ao ser humano? Existe de fato uma natureza humana?" Quando faço essa pergunta, obviamente, me refiro a algo muito além de "reflexo de sucção" (que nós certamente possuímos). Estou me referindo às qualidades que nós damos a nós mesmos. O que nos faz humanos? Essas características são inatas ou construídas socialmente? É aí que entra o problema, pois a ciência ainda não conseguiu responder a essa pergunta. No exemplo dos lobos, conseguimos isolá-los os totalmente do convívio com membros de sua espécie, mas com seres humanos não é possível realizar esse tipo de experimento. Até mesmo porque o ser humano é um animal social e o ambiente social é uma variável importante nessa análise. Para realizar um experimento similar e descobrir a existência dessa natureza humana (caso exista), seria necessário, ao meu ver, a criação de diferentes tipos de sociedades onde esses seres humanos cresceriam e se desenvolveriam. Uma sociedade pacifista e outra puramente violenta, uma sociedade onde não há hierarquias e outra com hierarquização máxima, uma onde há economia monetária e outra não, e por aí vai. Acredito que somente através desse tipo de análise poderíamos ter uma resposta direta a essa pergunta, mas sabemos que esse tipo de experimento é inviável (além de antiético). Resta-nos apenas experimentos sociais de menor escala, além de análises comportamentais e biológicas. Como disse, não há consenso e estamos longe de comprovar alguma coisa. Por esse motivo há espaço para as duas interpretações citadas no início do texto, e a partir dessas interpretações, surgem as ideologias e visões de mundo.
Pessoalmente (sim, o artigo a partir de agora é puramente opinativo) acredito numa visão mais sociobiológica da humanidade. A sociobiologia, em linhas gerais, é uma disciplina relativamente nova, que trabalha conceitos da sociologia com biologia (minha área de especialidade). Dentro dessa concepção, somos parcialmente fruto de uma programação genética, a qual pode ser modificada pelas variáveis ambientais (especialmente através de mecanismos epigenéticos, sobre os quais falarei em algum momento). Nesse sentido, não haveria uma natureza humana no sentido estrito da coisa. A nossa natureza seria moldada a partir de nossas experiências e do meio social em que vivemos. Eu sou brasileiro, biólogo, agnóstico, pacifista. Mas se eu tivesse nascido na Síria, provavelmente seria muçulmano e, quem sabe, um guerrilheiro. Se tivesse nascido no Texas, eu poderia ser um empresário, protestante e, quem sabe, armamentista. Estou citando alguns exemplos aleatórios para ilustrar meu ponto de vista. Muito de nossas características pessoais, sejam relativas a gostos pessoais, vertentes ideológicas, caráter, índole, etc., são determinados pelo ambiente onde crescemos. É claro que existem exceções. Podemos ter uma criança norueguesa que sempre teve de tudo na vida e se tornou um traficante assassino, ou uma criança criada numa comunidade extremamente violenta do RJ que se tornou uma "pessoa de bem", honesta e pacifista. Existem casos em que o meio não consegue mudar a pessoa e é nesses casos que se baseiam as vertentes que acreditam no pleno livre arbítrio humano. O ser humano se torna aquilo que ele quer e o meio não tem nada a ver com isso. Entretanto esses casos costumam ser minoritários. E os estudos, até onde conheço, mostram a grande força do componente ambiental na construção social desses indivíduos. Além disso, é possível que existam variáveis nesses casos minoritários que tenha levado à discrepância. A criança norueguesa poderia ter um desvio neurológico, por exemplo. A criança do RJ poderia ter uma mãe ou avó extremamente importante na sua educação. Enfim... há uma verdadeira infinidade de variáveis que deveriam ser analisadas para que chegássemos a uma resposta satisfatória.
Finalizando, deixo um trecho de um documentário polêmico que ilustra exatamente o que acredito em termos de natureza humana, embasado nos tais estudos de sociobiologia e epigenética que citei. Aqui está o link para quem tiver a curiosidade de saber mais:
Ainda falando de ciência mas mudando um pouco o foco, hoje vou das ciências naturais em direção às ciências humanas. Essa semana, em uma discussão política com grandes amigos, nos deparamos com o termo "minorias". Independente do âmbito da discussão e independente de vertentes políticas e ideológicas, uma definição é sempre uma definição. Em ciência é importante delimitarmos os conceitos para uma perfeita compreensão dos fenômenos. A maior parte dos erros de comunicação e das desavenças entre as pessoas numa discussão como essas se deve a erros na comunicação. Muitas das vezes o que um determinado conceito representa para uma pessoa "A" não é a mesma coisa que representa para uma pessoa "B". Ou seja... ambas estão usando o mesmo conceito, mas com diferentes conotações, diferentes significados. Já imaginou, por exemplo, se uma pessoa "A" considera que "carro" é um objeto para se sentar? Ou uma pessoa "B" considera que "cadeira" é um meio de transporte? Quando a pessoa "A" diz "Fui na casa do meu amigo ontem, sentei no carro da sala dele e conversamos por horas" ou quando a pessoa "B" diz "Peguei uma cadeira e fui até o centro da cidade ontem" não nos parece fazer sentido algum. Mas para a pessoa que emitiu tal afirmativa faz total sentido. O problema é que a pessoa "A" está chamando "cadeira" de "carro" e a pessoa "B" está chamando "carro" de "cadeira". Mas essa pessoa não é imbecil, ignorante, alienada ou qualquer outro pejorativo similar. Ela apenas tem uma definição diferente para um mesmo objeto ou fenômeno. E por que essa pessoa tem uma definição diferente? Existem vários motivos para que isso ocorra, desde uma educação deficitária até a apropriação de conceitos falaciosos vindos da internet. Nesse momento, o que recomendo é a busca pela definição técnica, acadêmica, para a solução das desavenças. O que é uma "cadeira" e o que é um "carro" para um cientista ou especialista? O que é dito no meio acadêmico, universitário? Qual a definição padronizada pela comunidade internacional? Conseguem compreender a questão? Esse tipo de atitude ajuda na comunicação, diminui os atritos e favorece uma discussão saudável e harmoniosa entre as pessoas, algo que parece estar em falta nas redes sociais atualmente. Como foi dito nas primeiras postagens dessa nova fase do blog, nosso foco está não só no âmbito das "ciências", como também na "espiritualidade" humana (manifestada por essa harmonia e integração entre as pessoas, e destas com o universo). Ok?
Mas e o que são "Minorias", afinal? Para encontrar essa definição, busquei duas fontes. A mais direta e de fácil acesso é a própria wikipédia. Segundo essa fonte, "o termo minoriadiz respeito a determinado grupo humano ou social
que esteja em inferioridade numérica ou em situação de subordinação
socioeconômica, política ou cultural, em relação a outro grupo, que é majoritário ou dominante em uma dada sociedade. Uma minoria pode ser étnica, religiosa, linguística, de gênero, idade, condição física ou psíquica. Minorias não são necessariamente perseguidas ou dizimadas pelo grupo
dominante, mas historicamente existem numerosos casos de perseguições." (Wikipédia) Ainda segundo a página, existem algumas controvérsias no uso desse termos. Muitos a usam coloquialmente com o sentido de minoria numérica, o que nem sempre é o caso. Academicamente o uso é em relação ao "poder" desse grupo perante outro. Feagin (1984) determina que para ser considerada uma "Minoria", um grupo deve ter 5 características:
1) Sofrer discriminação e subordinação
2) Traços físicos e/ou culturais que os diferenciam e são desaprovados por grupos dominantes
3) Um senso de identidade coletiva e fardos comuns compartilhados
4) Regras compartilhadas socialmente sobre quem pertence e quem não pertence a essa categoria
5) Tendência de casamentos dentro do mesmo grupo
A segunda fonte que busquei foi justamente o site das Nações Unidas para ver o que é determinado pelos especialistas do mundo todo através dessa entidade internacional. Quem quiser ler o texto original, se encontra disponível aqui. Caso tenha dificuldade com o inglês, fiz uma tradução aproximada que pode ser lida abaixo. (E caso não se interesse pelo texto abaixo, pule para as considerações finais).
Minorias (Segundo as Nações Unidas)
Todos os países do mundo incluem pessoas pertencentes a grupos étnicos nacionais, minorias linguísticas e religiosas, as quais enriquecem a diversidade de suas sociedades. Embora exista uma grande variedade de situações nas quais essas minorias estão inseridas, algo em comum entre todas elas é o fato de que, frequentemente, minorias encaram múltiplas formas de discriminação, resultando em marginalização e exclusão. A aquisição de uma efetiva participação das minorias e o fim da sua exclusão requer que nós abracemos a diversidade através da promoção e implementação de padrões internacionais para os Direitos Humanos.
A proteção dos direitos humanos de minorias é garantida pelo artigo 27 do “Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos” e artigo 30 do “Pacto dos Direitos da Criança”. Entretanto, a “Declaração das Nações Unidas para os Direitos de Pessoas Pertencentes a Grupos Étnicos Nacionais e Minorias Linguísticas e Religiosas” é o documento que determina os padrões essenciais e oferece um guia aos Estados na adoção de uma legislação apropriada e outras medidas que assegurem os direitos de pessoas pertencentes a minorias. Em geral, Estados através de seus compromissos sob leis de tratados, e as próprias minorias e seus representantes podem influenciar o monitoramento e implementação de implementação dos Direitos Humanos, e trabalhar em direção a uma participação efetiva e inclusão.
O princípio da não-discriminação e de igualdade são os pilares fundamentais dos direitos Humanos e proteção legal das minorias , os quais constituem o cerne de todos os tratados nessa área. Esses direitos e liberdades se aplicam a todos e é proibida a discriminação com base em uma lista de categorias como raça, cor, religião, linguagem, nacionalidade e etnia. Respeitando esses dois princípios, os direitos humanos podem ser assegurados, incluindo o direito a uma participação efetiva de minorias nas tomadas de decisões, particularmente minorias femininas.
Os direitos das minorias estão sendo gradativamente reconhecidos como parte integral do trabalho das Nações Unidas para a promoção e proteção dos direitos humanos, desenvolvimento sustentável, paz e segurança. A OHCHR (Office of the High Comissioner of Human Rights), nesse sentido, tem um papel primordial dentro das Nações Unidas como o próprio escritório ressaltou, considerando a discriminação como uma das prioridades temáticas no período de 2010 a 2013. A OHCHR também tem assumido um papel primordial no trabalho da Inter-Agência com relação às minorias, alinhado com o artigo 9 da declaração, ao assegurar que esforços coordenados estão sendo realizados em direção ao avanço e priorização das minorias através do sistema das Nações Unidas.
Dentro do escritório, a “Seção de Populações Indígenas e Minorias” a e “Filial de Procedimentos Especiais” têm um importante papel na continuidade global dos direitos das minorias, através da implementação de atividades estratégicas e provindo suporte para o “Fórum de Assuntos das Minorias” a ao mandato do “Especialista Independente em Assuntos de Minorias”
Estabelecido pelo Conselho dos Direitos Humanos, na resolução 6/15 (28 de Setembro de 2007), O O “Forum de Assuntos das Minorias”, provê uma plataforma para a promoção do diálogo e cooperação em assuntos pertinentes a nacionalidades, etnias, religiões e linguagens das minorias. Sua sessão anual de dois dias junta várias centenas de especialistas, representantes de governos, ONG’s, pessoas pertencentes a minorias e outras partes interessadas para examinarem assuntos com temáticas específicas e focarem no direito à educação das minorias, participação política efetiva e participação efetiva na vida econômica. A próxima sessão do Fórum focará na garantia dos direitos às minorias femininas.[...]
Considerações Finais:
Minorias não são definidas por inferioridade numérica, mas sim por inferioridade em termos de poder (seja ele físico, cultural ou econômico). Normalmente não tem sua "voz" ouvida e não tem poder suficiente para mudar suas próprias condições. Por esse motivo as minorias têm seus direitos assegurados pelas Nações Unidas através da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ideia é evitar que essas minorias sofram discriminação, violência física ou psicológica e, até mesmo, em alguns casos, evitar que sejam exterminadas por grupos mais poderosos. Essa é a definição técnica, acadêmica, ponto que deve ser comum em uma discussão sobre o assunto. A partir daí, você pode discordar das políticas públicas nacionais perante uma determinada minoria. Existem "n" estratégias capazes de assegurar os direitos a esses grupos minoritários. Talvez você concorde com algumas dessas medidas, talvez você discorde. Você pode e DEVE discutir, argumentar, propor uma medida alternativa a essas medidas. O que você não pode fazer é deturpar a definição para benefício próprio em uma discussão. Tal atitude é que tem causado tanta discórdia e brigas nas redes sociais.
Agora... Outra questão importante é o fato de algumas pessoas não concordarem que essas minorias tenham "direitos". Se você acha que alguma categoria de ser humano (qualquer ela que seja) não tem os mesmos direitos que outra categoria, você infelizmente está caindo em outra definição, que é a de "discriminação" (que ocorre por vários motivos também). Você pode até discutir se determinado direito é justo ou não àquela minoria com base numa comparação com a maioria. Mas dizer que determinado grupo não merece ter seus direitos atendidos é, por definição, discriminação. Pessoalmente acredito que você tem esse direito. Você pode pensar assim e até tem o direito de expressar o porquê de pensar assim. Mas a construção de um mundo harmonioso não passa por esse tipo de pensamento. E nesse sentido, é um pensamento diametralmente oposto à proposta desse blog. Nosso viés ideológico é o da harmonia entre as pessoas e a construção de um mundo pacífico e cientificamente evoluído.
Observação: Não sou da área de humanas, portanto, se tiver cometido algum equívoco nas minhas explicações, peço desculpas. Meu intuito é apenas mostrar que existem definições técnicas e que estas devem ser respeitadas numa discussão. Além disso, um dos objetivos é reforçar a ideia de que discussões precisam ser construtivas, levando ao progresso da sociedade, da humanidade, e não alimentando discórdia e o ódio entre as pessoas. Certo? 😉